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Gazeta Itapirense

No Tempo da Vovozinha: Coisas do passado distante…

No domingo passado, segundo o que constou no cabeçario da crônica subordinada ao título acima, com aquela afirmativa: conclusão, com o que dar se o fim ao trabalho sobre a historia do 11 de Fevereiro, mas, devido ao defeito de um rolete da máquina impressora, razão porque ficaram ilegíveis cerca de 75 palavras.

Acontecendo daí que tratando se de um escrito de real responsabilidade, seria dever voltar ao assunto mais um domingo, corrigindo assim a lacuna, sobrando outrossim, espaço para lembrar o que se foi esquecido, já que sempre há um lugarzinho para o … algo mais…O Antonio Correia, o tão popular Tio Antonio, testemunha que viveu aqueles dias do segundo mês do ano de 1888, sempre afirmava que, contra o delegado Joaquim Firmino, estavam todos os fazendeiros mais os pequenos sitiantes, todos eles, prejudicados com a atitude descabida da autoridade que protegia o escravo que abandonava a senzala do “sinhô” poderoso, lá na fazenda distante, e na calada da noite, fugia para a cidade, contando com a sua proteção, em  prejuízos dos legítimos do donos das propriedades agrícolas que compraram aqueles seres humanos por bom preço, para te lós lá na lavoura, trabalhando de sol a sol.

E em que maldita hora chegou na Penha, o maldito delegado que passou a proteger os escravos naquele atentado as leis, justo, partindo de uma pessoa que tinha por dever, respeitar os códigos, como autoridade que era. Joaquim Firmino de Araújo Cunha sabia que estava errado, e como fervoroso abolicionista, não temia represálias, já que o Idealista dá a própria vida pelo ideal. E então, depois de esgotada toda a paciência dos homens da lavoura, resolveram eles por um fim no atrevimento do abelhudo duma figa, no amaldiçoado que pagaria bem caro pelos seus abusos, os quais, tantos transtornos causaram aos senhores das fazendas e engenhos.

Até aí, tudo certo, mas não poderá passar pela cabeça de ninguém que o movimento daquela madrugada do dia 11 de fevereiro tinha por finalidade, liquidar a vida do delegado. Aqueles homens eram varões ilustres e jamais pensariam em arregimentar 200 homens para tão covarde empreitada. Razoes eles tinham para admoestar severamente o intruso que maus ventos o empurraram até a pequenina e tranquila Penha do Rio do Peixe, a cidadezinha que já não era mais tranquila devido as impertinências de um delegado que fugia da linha, em prejuízo de de duas ou mais centenas de pacotes de fazendeiros, sitiantes e chacareiros, todos as voltas com um indivíduo que se alvorava em proteger os escravos, sabendo que esses mesmos escravos não eram livres, pois tinham seus legítimos donos… Como que, comandando a multidão que tomara a decisão de ir até a casa do delegado, lá embaixo, na rua do Comércio e tomar as medidas pré combinadas, lá estava o fazendeiro poderoso, o médico norte-americano, senhor esse que conhecera os horrores de uma guerra civil, lá na sua pátria, vinte e poucos anos antes, guerra civil essa ao tempo de Abraham Lincoln.

No sul predominava o trabalho, muito ao gosto dos poderosos donos de vastas terras distribuídas no Mississipi, na Florida, no Alabama, na Geórgia nas duas Carolinas – Norte e  Sul – Texas, Estados Sulistas esses, no lado que o Dr James Warne batalhou bravamente. Após a longa luta sangrenta – 1862 – 1865 – a vitória sorriu para os Nortistas, ficando os estados do Sul empobrecidos, vencidos, despojados dos seus escravos. Abatido, inconformado com o desfecho da luta no solo Pátrio, o notável facultativo imigrou para o Brasil, andou pela Província de São Paulo, fincou pé no chão denominante Penha do Rio do Peixe…Decorridos pouco mais de dois decênios, eis o mesmo senhor ás voltas como braço escravo, ele como que, comandado aquele aglomerado de senhores da lavoura que, naquela marcha da madrugada que manchou nossa história, não puderam conter o ódio dirigido ao Delegado Joaquim Firmino, fazendo daquilo que seria uma reprimenda severa, num tristíssimo num massacre cruel.

Veio por Lei, meses depois, a total libertação da gente escrava, quando seria a ocasião de sanar o erro gravíssimo enaltecendo o delegado Mártir que, fora da lei anteriormente, agora merecia fulgurar nas páginas gloriosas da história, dando seu nome sacrossanto a uma Rua ou Praça da Cidade. Foi isso que faltou. E por esta falta lamentável perdura a mancha que, ao invés disso, poderia ser um Galardão…

  • Coluna publicada originalmente no jornal Cidade de Itapira pelo historiador, cronista e colaborador da imprensa local João Torrecillas Filho, o João do Norte