Não foi só ela. Fomos todas!, por Hellen Santos
Traço Feminino
Um espaço acolhedor que trará de forma acessível assuntos necessários como direitos das mulheres, a luta das mulheres negras, a violência contra a mulher e o que fazer nessas situações, dentre outros temas relacionados à mulher.
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No sábado, 1º de maio, nossa cidade amanheceu menor. Não foi apenas uma jovem de 22 anos que teve sua vida brutalmente arrancada, sem chance de defesa, sem direito ao amanhã, mas foi um pedaço de cada mulher que se perdeu junto com ela.
Foi a nossa segurança que se rompeu mais uma vez. Foi o nosso silêncio que gritou mais alto do que nunca.
Hoje, não escrevo apenas sobre mais um caso, não é mais um número, não é mais uma manchete, mas escrevo sobre um luto coletivo. É uma dor que atravessa ruas, casas, corpos e histórias. É o medo que se instala quando uma de nós não volta para casa ou morre dentro de uma.
Quando uma mulher é assassinada, todas nós morremos um pouco. Morremos no trajeto até o trabalho. Morremos ao olhar para trás na rua. Morremos ao segurar as chaves entre os dedos como defesa. Morremos na esperança de que “isso nunca vai acontecer comigo”.
Mas acontece, e até quando? Até quando vamos normalizar a violência que nos mata, nos cala, nos apaga? Até quando as autoridades tratarão nossas mortes como estatísticas frias? Até quando homens seguirão ignorando que o problema também é deles?
Hoje não é dia de apenas lamentar. É dia de encarar. De responsabilizar. De exigir!
Exigir políticas públicas municipais que funcionem, exigir proteção real, exigir justiça que não falhe. Exigir educação que transforme, exigir que cada homem reveja seu papel, suas atitudes, seus silêncios.
Porque o feminicídio não começa no ato final, ele começa na cultura que permite, no olhar que ignora, na palavra que diminui, na violência que é tolerada.
Hoje, nossa cidade está de luto. Mas que esse luto não seja apenas dor, que ele seja combustível. Que essa morte não seja esquecida, e que essa jovem não seja só mais um nome.
Que este 1º de maio marque não apenas o dia em que perdemos mais uma mulher, mas o dia em que decidimos, juntos, que não aceitaremos perder mais nenhuma.
Porque enquanto uma mulher não estiver segura, nenhuma de nós estará.

Por: Hellen Santos




