Médico do São Francisco destaca benefícios quase imediatos de parar de fumar
Celebrado ontem, 31 de maio, o Dia Mundial sem Tabaco serviu como um importante alerta sobre os impactos devastadores do tabagismo na saúde pública. Instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a data busca conscientizar a população sobre os riscos do consumo de produtos derivados do tabaco e estimular ações de combate ao vício.
Neste ano, a campanha mundial teve como tema “Vamos expor os falsos atrativos e combater o vício em tabaco e nicotina”, chamando atenção para as estratégias utilizadas pela indústria para atrair crianças, adolescentes e jovens por meio de embalagens coloridas, sabores artificiais, publicidade digital e dispositivos eletrônicos cada vez mais populares.
Segundo dados da OMS, o tabagismo continua sendo uma das maiores ameaças à saúde pública mundial, afetando cerca de um em cada cinco adultos e sendo responsável por mais de 8 milhões de mortes por ano. Desse total, mais de 7 milhões são causadas pelo consumo direto do tabaco e outras 1,2 milhão atingem pessoas expostas ao fumo passivo.
O pneumologista Claudio Leal, médico do Hospital São Francisco de Mogi Guaçu, destaca que os danos provocados pelo cigarro vão muito além dos conhecidos problemas pulmonares.
“O tabagismo é uma das principais causas de câncer de pulmão, boca, garganta, esôfago, bexiga e diversos outros tipos de câncer. Além disso, pode causar ou agravar doenças respiratórias como bronquite crônica e enfisema pulmonar, aumentando também os riscos de infarto, AVC, trombose e hipertensão arterial”, alerta o especialista.

O médico ressalta ainda os riscos para gestantes e crianças.
“Mulheres grávidas que fumam apresentam maior risco de parto prematuro e complicações no desenvolvimento do bebê. Já as crianças expostas ao cigarro têm mais chances de desenvolver infecções respiratórias, problemas de crescimento e até sofrer morte súbita infantil”, explica.
Vapes preocupam especialistas
Um dos focos da campanha deste ano é o crescimento acelerado do consumo de cigarros eletrônicos entre adolescentes.
Dados da OMS e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) apontam que cerca de 15 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos utilizam cigarros eletrônicos no mundo. Em muitos países, os jovens têm até nove vezes mais probabilidade de consumir vape do que os adultos.
No Brasil, apesar de a comercialização, importação e propaganda desses dispositivos serem proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o consumo segue em expansão.
Levantamento do Ipec mostra que o número de usuários de cigarros eletrônicos quadruplicou entre 2018 e 2022. Atualmente, cerca de 6 milhões de brasileiros afirmam já ter experimentado os dispositivos.
Para o pneumologista Claudio Leal, existe uma falsa percepção de segurança em relação aos vapes.
“Muitos acreditam que os cigarros eletrônicos são menos prejudiciais, mas estudos mostram que eles podem causar danos até mais graves que os provocados pelo cigarro convencional. O vapor contém nicotina em altas concentrações, substâncias químicas tóxicas, metais pesados e compostos capazes de provocar inflamações pulmonares, doenças respiratórias graves e aumentar os riscos cardiovasculares”, afirma.
Segundo o médico, a preocupação é ainda maior entre adolescentes, já que a exposição precoce à nicotina pode comprometer o desenvolvimento cerebral e aumentar significativamente a vulnerabilidade ao vício.
Benefícios aparecem rapidamente
Apesar dos riscos, especialistas destacam que nunca é tarde para abandonar o cigarro.
Dados da Organização Pan-Americana da Saúde mostram que os benefícios começam poucos minutos após a interrupção do consumo. Em apenas 20 minutos, a frequência cardíaca começa a diminuir. Após 12 horas, os níveis de monóxido de carbono no sangue retornam ao normal. Em algumas semanas, a circulação e a capacidade pulmonar já apresentam melhora significativa.
“Paciência e persistência são fundamentais para quem deseja parar de fumar. É normal sentir vontade nos primeiros dias, mas essa necessidade diminui com o tempo. E, caso aconteça uma recaída, a pessoa não deve desistir. É preciso entender o que aconteceu e tentar novamente”, orienta Claudio Leal.
O especialista reforça que abandonar o cigarro continua sendo uma das decisões mais importantes para preservar a saúde e aumentar a qualidade e a expectativa de vida.





