Kronos: Mogi Mirim comemora empresa que Toninho Bellini fez questão de ‘perder’
A história da Kronos Embalagens em Itapira é outro exemplo emblemático de uma empresa que chegou a Itapira, cresceu rapidamente, projetou um dos maiores investimentos industriais da cidade e foi embora graças à falta de habilidade e vontade do prefeito Toninho Bellini. Desprezada aqui, acabou encontrando em Mogi Mirim o ambiente necessário para continuar sua expansão.
A empresa iniciou suas operações em Itapira em 2018, durante a administração do então prefeito Paganini, graças à atuação direta do deputado Totonho Munhoz e de seu assessor Sandro Pio. Naquele ano, a Câmara Municipal aprovou por unanimidade a concessão de incentivos à Kronos, incluindo ressarcimento de despesas com IPTU, isenção de taxas e apoio da Prefeitura para agilizar a implantação e eventual ampliação da unidade. Como contrapartida, a empresa se comprometeu a manter atividades no município, faturamento mínimo anual de R$ 10 milhões e pelo menos 30 postos de trabalho.
O relacionamento entre a Prefeitura e os empresários avançou nos anos seguintes. Em 2020, último ano do governo Paganini, a Kronos já estava em franca expansão. Naquele momento, a empresa tinha cerca de 100 funcionários em Eleutério e outros 20 no Centro de Distribuição instalado no Distrito Industrial Juvenal Leite. A estrutura havia sido criada justamente para liberar espaço na unidade de Eleutério e permitir que a operação industrial continuasse crescendo.

Foi naquele cenário que surgiu um projeto audacioso que poderia mudar a dimensão da Kronos dentro de Itapira. Em reunião realizada no Paço Municipal em 30 dezembro de 2020, o empresário Rogério Fernando Lopes, sócio-fundador da empresa, apresentou ao prefeito Paganini, ao deputado estadual Totonho Munhoz e a Sandro Pio um plano de expansão que previa novas instalações, ampliação da área industrial e a possibilidade de chegar a um parque fabril de até 60 mil metros quadrados, com potencial para alcançar até 500 empregos diretos. A empresa já havia adquirido uma área de 26 mil metros quadrados e também pleiteava mais 17 mil metros quadrados próximos à unidade de Eleutério.
O projeto, entretanto, encontrou uma mudança de cenário político a partir de 2021. Com a posse de Toninho Bellini, as tratativas que vinham sendo construídas com a administração Paganini perderam força. A Kronos, que precisava de espaço para crescer, chegou a buscar alternativas dentro do próprio município, mas não encontrou em Toninho Bellini e sua trupe a mesma disposição para viabilizar a expansão.
O resultado foi a perda de uma oportunidade que hoje ganha ainda mais peso. Em vez de transformar o projeto de até 500 empregos em realidade em Itapira, a Kronos acabou levando sua expansão para Mogi Mirim.

E o contraste é evidente.
Enquanto Itapira perdeu uma empresa que já conhecia o município, tinha mão de obra instalada, estrutura em funcionamento e planos concretos de expansão, o prefeito de Mogi Mirim, abriu as portas e o ‘coração’ para o grande investimento industrial. A cidade passou a oferecer condições para que a Kronos consolidasse sua operação industrial e ampliasse seus negócios.
A própria Prefeitura de Mogi Mirim concedeu benefícios fiscais à Kronos por meio da Lei nº 6.698/2023. Atualmente, a empresa mantém sua unidade na Avenida João Pinto, no Distrito Industrial José Marangoni, no prédio que abrigou por décadas a fabricante de calçados Rainha.

A diferença entre os dois municípios fica ainda mais clara quando se observa o tamanho que a Kronos alcançou. A empresa se apresenta hoje como fabricante de preformas coloridas e embalagens PET e PEAD, com sede em Mogi Mirim. Informações públicas da própria companhia indicam uma estrutura empresarial com 360 funcionários hoje e planos de ampliação em solo mogimiriano. Na publicação, destaque para a afirmação dos donos da Kronos de que as unidades de Jacutinga (MG) e Maringá (PR) serão trazidas para Mogi Mirim.
Neste sábado, 15, o próprio Jornal Oficial de Mogi Mirim destaca a força da Kronos e o peso que a empresa passou a representar para a economia local, sendo um dos maiores faturamentos por lá.
Sem contar que Itapira não recebe um centavo mais de retorno de ICMS, enquanto Mogi Mirim está recebendo milhões de reais.
É uma imagem que contrasta diretamente com o que poderia estar acontecendo em Itapira caso o projeto de expansão anunciado no final de 2020 tivesse avançado.
O episódio também lança luz sobre a política de desenvolvimento econômico de Itapira. Toninho Bellini, que soma 13 anos e oito meses à frente da Prefeitura ao longo de seus quatro mandatos, iniciou em 2021 seu terceiro período no comando do município e foi reeleito para 2025-2028.
Ao longo desse período, a administração é alvo de críticas pela dificuldade em transformar áreas industriais e oportunidades disponíveis em novos investimentos de grande porte. No caso da Kronos, a situação é ainda mais simbólica: não se trata de uma empresa que Itapira tentou atrair e não conseguiu. Trata-se de uma indústria que já estava na cidade, crescia, empregava e tinha um plano concreto para crescer muito mais.
Em 2020, Itapira discutia um projeto de até 60 mil metros quadrados e 500 empregos diretos. Hoje, a Kronos está em Mogi Mirim, onde continua ampliando sua estrutura e buscando profissionais para diferentes áreas.
A pergunta que fica é inevitável: quantos empregos e quanto investimento poderiam estar circulando em Itapira hoje se o projeto de expansão construído em 2020 tivesse recebido continuidade?
A Kronos é apenas um caso, mas talvez seja um dos mais expressivos para medir o custo de uma política industrial que, na avaliação de críticos da atual administração, não conseguiu acompanhar o ritmo de crescimento das empresas e das cidades vizinhas.
Para atacar Totonho Munhoz e Sandro Pio, Toninho Bellini desprezou empresários preocupados com a cidade e entusiasmados com o projeto de crescimento contínuo que a Kronos vem apresentando desde quando chegou em Itapira, em 2018.
Enquanto Mogi Mirim comemora a presença de uma indústria que não para de crescer, Itapira assiste de fora ao desenvolvimento de uma empresa que um dia chegou ao município justamente com apoio da Prefeitura e que, no final de 2020, ainda projetava seu futuro dentro da cidade.






