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Gazeta Itapirense

Criança com autismo sofre com dores e sangramentos há 5 meses à espera de especialista

Um menino de 10 anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), enfrenta uma rotina de dor, sangramentos e limitações enquanto aguarda, há mais de cinco meses, por uma consulta com um proctologista infantil na rede pública de saúde de Itapira.

Sem previsão para o atendimento, a criança já deixou de frequentar a escola, acumula atestados médicos e, segundo a família, convive diariamente com o sofrimento causado por uma fissura anal que permanece aberta.

A mãe afirma que já percorreu diversas vezes os corredores da Secretaria Municipal de Saúde de Itapira em busca de uma solução. Diz que implorou pelo agendamento da consulta, ofereceu-se para levar o filho a qualquer cidade e garante que só deseja ver o menino voltar a viver sem dor.

Enquanto o prefeito Toninho Bellini e a secretária de Saúde, Sueli Longhi, ficam nesse jogo de ‘empurra’, o garoto sofre todos os dias: vergonha (Foto: Gazeta Itapirense)

“Já implorei para marcarem a consulta. Não sei mais o que fazer para ajudar meu filho. Ele sente muita dor, sangra e está sofrendo. O que eu quero é que ele passe por um especialista para acabar com esse sofrimento. Já fui várias vezes na Secretaria da Saúde, já fui chorando lá. Sempre dizem que o pedido está separado, mas nunca marcam. Só queria ajudar meu filho. Ele não merece passar por tudo isso. Ele é só uma criança, inocente, sofrendo e ninguém ajuda a conseguir o proctologista para ele”, desabafa Priscile Martins de Macedo, mãe do pequeno.

Documentos obtidos pela reportagem mostram que o pedido de encaminhamento ao especialista foi protocolado na Central de Regulação do município em 9 de fevereiro de 2026. O encaminhamento foi realizado após avaliação médica que constatou fissura anal, dermatite perianal e episódios de sangramento, indicando a necessidade de acompanhamento especializado.

Outro documento emitido pela APAE de Itapira confirma que o menino é diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA – Nível de Suporte 2), além de Transtorno do Desenvolvimento do Som da Fala, condições que tornam ainda mais delicada a situação enfrentada pela família.

Segundo a mãe, o quadro clínico piorou ao longo dos últimos meses. Além da fissura anal que permanece aberta, novas lesões surgiram na região, provocando dores intensas sempre que a criança evacua. Os episódios de sangramento são frequentes e, diante do sofrimento, o menino já não consegue manter sua rotina normalmente.

O problema também afetou diretamente sua vida escolar. De acordo com a família, a criança está afastada das aulas desde o início de maio e já recebeu oito atestados médicos em razão do quadro de saúde. Com o retorno das atividades escolares, a mãe afirma que ele ainda não reúne condições físicas para voltar à sala de aula.

A demora no atendimento especializado aumenta a angústia da família, que teme o agravamento do problema enquanto aguarda uma vaga para consulta.

 

Outro lado

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Itapira informou que tem conhecimento do caso e afirmou que a criança está sendo acompanhada pela rede municipal de saúde.

Em nota, a administração informou que o paciente permanece em avaliação e monitoramento pela equipe médica do município enquanto aguarda o atendimento especializado.

A Prefeitura também explicou que não possui coloproctologista pediátrico em sua rede própria e que o agendamento depende da Central de Regulação Regional, responsável pelo encaminhamento aos especialistas.

Segundo a nota, a Secretaria Municipal de Saúde mantém contato permanente com a Central de Regulação Regional para tentar viabilizar o atendimento o mais breve possível e afirmou que continuará adotando as medidas cabíveis dentro de suas competências para garantir a continuidade da assistência até que a consulta seja realizada.

Não é possível que o prefeito Toninho Bellini e a secretária de Saúde, Sueli Longhi, não consigam se mexer, ajudar de alguma forma essa criança que sofre todos os dias e a família que não sabe mais o que fazer.

Enquanto isso, a família segue convivendo diariamente com a espera e com a esperança de que o menino consiga, finalmente, passar por um especialista e colocar fim ao sofrimento que já dura meses.