Complexo da Saúde terá elevador para ‘maca’ após pregão de R$ 568 mil
O que deveria representar modernização da saúde pública acabou se transformando em mais um símbolo do improviso administrativo em Itapira. A Prefeitura precisará gastar agora mais de meio milhão de reais para corrigir um erro considerado inacreditável no Complexo da Saúde: os elevadores instalados no prédio simplesmente não comportam o transporte de macas.
A situação chama ainda mais atenção pelo fato de o prefeito Toninho Bellini ser engenheiro civil.
O novo gasto foi oficializado por meio do Pregão Eletrônico nº 26/2026, homologado pela Prefeitura e publicado no Jornal Oficial desta quinta-feira,28, que prevê a contratação de uma empresa especializada para execução de um novo elevador no Complexo da Saúde, com fornecimento de materiais e mão de obra. O valor do investimento impressiona: R$ 568 mil.
A empresa vencedora foi a Ultron Elevadores Ltda.
O problema é que o prédio já possui dois elevadores.
E ambos foram construídos em dimensões consideradas inadequadas para uma estrutura destinada à saúde pública.
A necessidade do terceiro equipamento ocorre justamente porque os elevadores existentes não possuem capacidade adequada para transporte de macas — algo básico, elementar e absolutamente indispensável em qualquer unidade voltada ao atendimento médico.
Na prática, a Prefeitura agora admite oficialmente que construiu um prédio de saúde sem prever corretamente uma das necessidades mais óbvias de um ambiente hospitalar.
O caso beira o inacreditável.
Especialmente porque o Complexo da Saúde consumiu mais de R$ 9 milhões em investimentos públicos e já vinha sendo alvo de questionamentos desde o início da obra.
O empreendimento começou em abril de 2023 com previsão inicial de entrega em um ano. Porém, além dos atrasos, o prédio começou a operar efetivamente somente em novembro de 2025, quando a Vigilância Epidemiológica passou a funcionar no local.
Despois veio a descoberta de que nem mesmo uma maca pode ser transportada adequadamente pelos elevadores instalados.
A pergunta inevitável é brutal: como um erro desse tamanho passa por projetos, análises técnicas, execução da obra, fiscalização, entrega e ocupação do prédio sem que ninguém perceba?
Ou perceberam e ignoraram?
O episódio escancara uma falha que vai além de um simples detalhe de engenharia. Trata-se de um erro estrutural grave em um prédio destinado justamente ao atendimento da população na área da saúde.
Em qualquer projeto minimamente planejado para serviços médicos, o transporte de pacientes em maca não deveria ser tratado como “adaptação futura”, mas como requisito básico desde a planta inicial.
E agora o contribuinte terá que pagar novamente.
Mais R$ 568 mil. Tudo isso para corrigir um problema que jamais deveria existir.
A situação também levanta dúvidas sobre a qualidade do planejamento técnico, da fiscalização da obra e da condução administrativa do projeto ao longo dos anos.
Porque não se trata apenas de instalar mais um elevador. Trata-se de admitir que o prédio foi entregue com uma deficiência operacional extremamente grave.
O caso ganha contornos ainda mais constrangedores pelo perfil técnico do próprio prefeito Toninho Bellini, que é engenheiro civil e pelo deveria acompanhar de perto obras e projetos públicos do município.
No fim das contas, a sensação deixada é a de que Itapira está pagando duas vezes pela mesma obra: primeiro para construir e depois para corrigir erros que deveriam ter sido evitados ainda no papel.
E quando uma cidade precisa gastar mais de meio milhão de reais apenas para fazer caber uma maca em um prédio da saúde, talvez o problema já tenha ultrapassado — e muito — o limite do aceitável.






