Gazeta Itapirense

Coluna ‘Traço Feminino’, por Hellen Santos

Um espaço acolhedor que trará de forma acessível assuntos necessários como direitos das mulheres, a luta das mulheres negras, a violência contra a mulher e o que fazer nessas situações, dentre outros temas relacionados à mulher.

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                                                                                            Ainda assim eu me levanto

 

Nos últimos meses, tenho recebido mensagens de leitoras perguntando sobre a pausa desta coluna. A verdade é que, assim como tantas mulheres que me leem, eu também precisei parar. Parar para respirar, para entender os meus limites e reconhecer que, às vezes, as demandas da vida, sejam pessoais, profissionais e emocionais, nos atravessam de tal forma que não dá mais para seguir no automático.

A rotina de cada dia parece nos exigir que sejamos incansáveis, fortes, produtivas, cuidadoras e resilientes a todo tempo. Quando ousamos parar, vem a culpa, pois o silêncio sobre o cansaço feminino ainda é um tabu. Fingimos que está tudo bem, mesmo quando o corpo e a alma pedem socorro. Aprendemos, desde cedo, que dar conta de tudo mesmo adoecendo é o que nos torna “fortes”, mas há uma exaustão que não se disfarça.

Viver mulher é pesado, não há nada de frágil nisso, é lidar com uma rotina de enfrentamentos, alguns visíveis, outros sutis, mas igualmente brutais. O ano de 2025 foi extremamente difícil para mim e para muitas de vocês, queridas leitoras, pois sentimos dores em receber “não” apenas por querermos crescer, doeu perceber que, muitas vezes, a cor da nossa pele é o maior obstáculo entre o que somos e o que poderíamos ser, pois ainda combatemos o racismo e o machismo se entrelaçando como muros invisíveis, tentando limitar nossos voos.

Tivemos mudanças significativas, e aqui, quero enfatizar ao Jornal Gazeta, que abriu esse espaço tão importante para que pudéssemos falar, lutar e caminharmos juntas em nossa cidade, algo do qual jamais me esquecerei.

Durante esses meses que estive ausente desta coluna, foi um tempo necessário para reconhecer que as demandas haviam se tornado maiores do que minhas forças. Um tempo para respirar, repensar e me fortalecer, mas também de refletir que as mudanças têm ocorrido, que temos mulheres e homens participando desse movimento de mudança e combate a todos os tipos de violência contra as mulheres itapirenses.

Que 2026 seja mais leve, com mais oportunidades para todas nós e que possamos dizer como a escritora e ativista norte-americana Maya Angelou –  “Pode me atirar palavras afiadas, dilacerar-me com o seu olhar, você pode me matar em nome do ódio, mas ainda assim, como o ar, eu vou me levantar”

 

Feliz 2026 – Traço Feminino

 

Por: Hellen Santos

hellenccsed@gmail.com