Caos total: crise na doação de sangue obriga HM a racionar transfusões em Itapira
A queda acentuada no número de doações de sangue tem colocado em risco atendimentos básicos e procedimentos médicos no Hospital Municipal de Itapira, criando um cenário descrito por profissionais da área como um dos mais críticos já enfrentados. A situação, que reflete uma crise nacional, atinge de forma direta pacientes que dependem diariamente de transfusões para sobreviver ou dar continuidade a tratamentos e cirurgias.
O alerta vem do responsável pelo Banco de Sangue do Hospital Municipal, o bioquímico Fran Marella, que fez um desabafo contundente ao relatar a gravidade do momento vivido pela unidade. Segundo ele, o estoque de sangue atingiu níveis extremamente baixos, obrigando a equipe a adotar medidas de racionamento. “A situação da doação de sangue está muito complicada. Itapira caiu demais o número de doações”, afirmou. Ele ressaltou que o problema não é isolado, mas isso não diminui o impacto local. “Infelizmente, é geral, é no país inteiro. Mesmo assim, a realidade aqui é muito dura.”
A falta de sangue já provoca consequências práticas e imediatas dentro do hospital. De acordo com Fran Marella, pacientes que necessitam de transfusão nem sempre conseguem receber o procedimento no momento adequado, simplesmente por não haver bolsas disponíveis. “Tem paciente que às vezes precisa de sangue e a gente não consegue transfundir por falta de estoque”, relatou. A situação também afeta diretamente a realização de cirurgias, principalmente na área de ortopedia, que vêm sendo constantemente adiadas. “Cirurgias têm que ficar esperando porque não existe suporte hemoterápico suficiente”, explicou.

Com mais de 30 anos de atuação na área, Fran não escondeu a preocupação ao afirmar que nunca viveu um cenário tão crítico quanto o atual. “Eu acho que estou vivendo a pior fase desde que trabalho com doação de sangue. Em mais de três décadas, é a pior que já enfrentei”, desabafou. Ele destacou ainda que acompanha a realidade de outros hospitais e que o quadro se repete em diversas cidades. “Trabalho em vários hospitais, não só em Itapira. Todo lugar está péssimo, horrível. Está muito difícil.”
O bioquímico fez questão de esclarecer que a escassez de sangue não está ligada à falta de recursos financeiros, problemas administrativos ou má gestão. “O sangue não é um medicamento que você compra. Não é falta de dinheiro, nem logística, nem administração. A falta de sangue é a falta do comprometimento das pessoas em doar”, enfatizou. Segundo ele, sem o doador voluntário, simplesmente não há transfusão. “Se não tiver doador, não tem sangue. É simples assim.”
Em tom emocionado, Fran Marella fez um apelo direto à população. Ele pede que as pessoas se conscientizem e encontrem um espaço na rotina para ajudar. “É um pedido, pelo amor de Deus, para o pessoal se conscientizar, arrumar um tempinho nessa vida corrida e doar um pouquinho do seu tempo para ajudar o próximo. Está muito complicado, muito difícil”, afirmou.
Além do apelo à conscientização permanente, o Banco de Sangue do Hospital Municipal de Itapira também reforça o calendário de campanhas de doação previstas ao longo do ano, que buscam facilitar o acesso da população ao serviço. As próximas ações estão programadas para os dias 19 de fevereiro, 23 de abril, 18 de junho, 20 de agosto, 15 de outubro e 17 de dezembro. A expectativa é de que, com maior divulgação e participação da comunidade, seja possível recompor os estoques e evitar o agravamento ainda maior da situação enfrentada atualmente pela unidade.
A situação do Banco de Sangue do Hospital Municipal de Itapira acende um sinal de alerta não apenas para os profissionais de saúde, mas para toda a comunidade. Cada doação pode significar a continuidade de um tratamento, a realização de uma cirurgia ou, em muitos casos, a própria sobrevivência de um paciente. Diante de um cenário descrito como caótico, o gesto solidário de doar sangue se torna, mais do que nunca, um ato urgente e essencial.



