Gazeta Itapirense

Tragédia anunciada: Fontolan já cobrava melhorias na cozinha antes do ‘Escândalo das Baratas’

A denúncia de uma infestação de baratas na cozinha do Hospital Municipal expôs uma situação considerada gravíssima e reacendeu cobranças sobre o abandono estrutural da principal unidade de saúde da cidade.

Mas, em meio ao escândalo sanitário, um detalhe chama atenção: meses antes das imagens virem à tona o vereador Tiago Fontolan já havia alertado oficialmente a Prefeitura sobre os problemas no setor e cobrado providências urgentes.

O caso ganhou repercussão após a Gazeta receber um vídeo mostrando dezenas de baratas circulando livremente sobre fogões industriais, próximas às panelas onde eram preparadas refeições destinadas a pacientes, acompanhantes e funcionários do hospital. As imagens são chocantes. Insetos aparecem caminhando sobre superfícies quentes, em meio a ferrugem, gordura acumulada, buracos nos equipamentos e um ambiente que transmite sensação clara de abandono.

Vereador Tiago Fontolan já havia alertado para diversos problemas na cozinha do HM (Gazeta Itapirense)

A situação se torna ainda mais preocupante por ocorrer dentro de um hospital público, onde pacientes debilitados, idosos e pessoas imunossuprimidas dependem diariamente da alimentação produzida naquele espaço.

O que hoje explode como escândalo público, porém, já havia sido alvo de alerta formal do vereador Tiago Fontolan. Em março deste ano, após visitar pessoalmente a cozinha do Hospital Municipal, o parlamentar protocolou a Indicação 185/2026 solicitando melhorias estruturais, operacionais e sanitárias no local.

No documento, Fontolan relata ter estado na cozinha após receber denúncias de servidoras sobre as condições de trabalho enfrentadas no setor. Durante a visita, conversou com funcionárias e com a responsável técnica da cozinha, constatando a existência de problemas que precisavam de intervenção imediata do Poder Executivo.

Entre os pontos destacados pelo vereador estava justamente a deficiência na limpeza do ambiente. O texto informa que a servidora responsável pela higienização da cozinha encontrava-se afastada, fazendo com que outros setores precisassem assumir parcialmente a função — situação considerada inadequada para um espaço hospitalar onde a limpeza contínua é fundamental.

A gravidade das imagens divulgadas agora reforça a percepção de que os alertas feitos anteriormente não receberam a devida atenção da administração municipal. O cenário descrito pelas denúncias atuais transforma a situação em uma espécie de “tragédia anunciada”.

E as cobranças do vereador não pararam por aí.

Tiago Fontolan também protocolou a Indicação 264/2026, solicitando atuação imediata da Vigilância Sanitária Municipal para fiscalização emergencial das condições sanitárias da unidade.

No documento, o parlamentar pede inspeção completa nas dependências do hospital, verificação das condições de higiene, controle de infecção hospitalar, análise de infiltrações, umidade, funcionamento de equipamentos de esterilização — especialmente autoclaves — e fiscalização da disponibilidade de insumos básicos necessários aos procedimentos médicos.

Além disso, o vereador também apresentou o Requerimento 45/2026, cobrando oficialmente informações da Prefeitura sobre a regularidade sanitária do Hospital Municipal, incluindo cópia do alvará sanitário, relatórios das últimas inspeções da Vigilância Sanitária e eventuais notificações ou irregularidades registradas nos últimos 12 meses.

O requerimento ainda questiona diretamente se existem registros formais de problemas como infiltrações em áreas assistenciais, falhas de esterilização e ausência de insumos básicos para assepsia.

As medidas apresentadas por Fontolan ganham ainda mais peso diante da sucessão de denúncias envolvendo o Hospital Municipal ao longo de 2026. Nos últimos meses, vieram à tona relatos de infiltrações, mofo, goteiras em quartos, água escorrendo em setores sensíveis e até desativação de leitos devido às condições inadequadas da estrutura.

Agora, a infestação de baratas na cozinha hospitalar eleva a crise a um novo patamar e gera forte indignação popular.

Após ser procurada pela Gazeta, antes da matéria com o vídeo ser publicada, a Prefeitura informou que os serviços de “desinsetização, desratização e higienização são realizados regularmente e que uma dedetização já estava programada anteriormente”. No entanto, o fato de o procedimento ter ocorrido duas horas após o envio à divulgação da matéria aumentou ainda mais os questionamentos sobre a real situação sanitária da unidade.

Enquanto isso, cresce a pressão para que providências efetivas sejam tomadas antes que a deterioração da estrutura hospitalar provoque consequências ainda mais graves para pacientes e profissionais da saúde.