Gazeta Itapirense

Zé da Sorte: vendedor ambulante mantém viva a tradição da Loteria Federal

Em meio à rotina apressada do comércio e ao vai e vem de moradores pelas ruas de Itapira, um personagem tradicional segue apostando na sorte e mantendo viva uma prática antiga: a venda de bilhetes da Loteria Federal de porta em porta. Conhecido pelo carisma e pela confiança dos clientes, o ambulante já virou referência entre apostadores que acreditam no “pé-quente” e na boa conversa como parte do jogo.

Trata-se de José Gonçalves Pintos, mais conhecido como Zé da Sorte, vendedor ambulante de bilhetes da Loteria Federal que atua há muitos anos na cidade. A atividade passou a ser exercida diariamente a partir de 2015, quando ele se aposentou e decidiu se dedicar integralmente ao trabalho nas ruas.

Zé da Sorte percorre bairros, empresas e comércios principalmente no período da manhã, sempre a pé. Antes de começar as vendas, mantém uma rotina de caminhada de até uma hora e meia pela avenida, hábito que, segundo ele, ajuda a cuidar da saúde e a “espichar as pernas” antes do expediente. A venda dos bilhetes costuma ir até o meio-dia, sempre com atendimento direto aos clientes, muitos deles fiéis e habituados a comprar toda semana.

Zé da Sorte e seus bilhetes: esperança levada de porta em porta (Foto: Gilmar Carvalho/Gazeta)

Os sorteios da Loteria Federal acontecem às quartas-feiras e aos sábados, mas os bilhetes são comercializados nos dias anteriores. De segunda a quarta-feira, as apostas são voltadas para o sorteio de quarta; já de quinta a sábado, para o sorteio do sábado.

Além disso, há a loteria especial mensal, com prêmios maiores. Um dos bilhetes especiais citados por Zé da Sorte, por exemplo, tinha prêmio principal de R$ 1,35 milhão.

Na semana anterior à entrevista, um dos bilhetes vendidos por ele foi premiado no quinto prêmio, rendendo R$ 20 mil ao ganhador. “Foi o bilhete do cavalo, com a milhar 21.044, sorteado em uma quarta-feira”, contou Zé da Sorte. O episódio reforçou a fama de vendedor “pé-quente” entre os clientes.

Segundo o ambulante, entre os apostadores há preferência por alguns bichos, especialmente borboleta e cachorro, considerados os mais procurados. Ainda assim, ele ressalta que não existe bicho que “dá mais” ou “dá menos”, pois, quando o prêmio sai, pode ser qualquer um. “Quando tem que dar, dá qualquer um”, resume.

A relação de Zé da Sorte com a loteria vai além da venda. Ele próprio já foi premiado no passado, quando ainda era comerciante e mantinha uma sorveteria na rua Major João Manuel, na Vila Bazani, conhecida como Sorveteria Itamone.

“Na ocasião, comprei partes de um bilhete do carneiro, cuja milhar era 41.126, e acabei sendo contemplado. Eu havia ido à praça procurando um bilhete da cobra, mas não encontrei e foi o carneiro mesmo. Naquele dia, se tivesse comprado o da cobra não teria ganhado”, brincou.

Com histórias acumuladas ao longo dos anos, Zé da Sorte segue fazendo da venda de bilhetes não apenas uma fonte de renda, mas também uma forma de socialização, lazer e contato diário com a cidade, mantendo viva uma tradição que mistura esperança, superstição e confiança na sorte.