Você vende na shopee e no mercado livre. Mas o negócio é realmente seu?; por Nelson Theodoro
Hoje li um artigo de Camila Farani que me chamou bastante a atenção: “Se a maior parte das suas vendas está num marketplace, você não tem uma empresa e sim um ponto alugado na casa dos outros.”
Gostei tanto da reflexão que fiquei entusiasmado em escrever sobre o assunto e compartilhar um pouco da nossa experiência na TheodoroJr, onde ajudamos empresas a ingressar no comércio eletrônico e ampliar suas oportunidades de negócios.
Vender pela internet nunca foi tão acessível. Plataformas como Shopee, Mercado Livre e Amazon abriram oportunidades para milhares de empreendedores alcançarem consumidores em todo o Brasil.
Mas existe um risco que muitos só percebem quando o negócio já está funcionando: depender de um ponto de venda que não é seu.
Segundo o estudo Panorama E-commerce, da Visa Marketing Services, citado por Camila Farani, os marketplaces concentram 71% das transações virtuais no Brasil, enquanto os sites próprios representam 20%.
É um mercado gigantesco, mas que exige planejamento.
Imagine uma loja instalada em um shopping. O movimento é excelente, os clientes aparecem, mas quem administra o shopping estabelece as regras, os custos e as condições de funcionamento.
Nos marketplaces acontece algo semelhante.
Uma mudança nas comissões, nas regras de exposição dos produtos ou até um bloqueio de conta pode comprometer boa parte do faturamento de uma empresa.
E existe outro detalhe importante: muitas vezes, o cliente compra seu produto, gosta dele e volta a comprar, mas continua sendo um cliente da plataforma.
Você realizou a venda, porém não construiu necessariamente um relacionamento direto com esse consumidor.
O problema não é vender nos marketplaces. É depender exclusivamente deles.
Por isso, sempre defendemos que o empreendedor precisa construir também seu próprio patrimônio digital: uma loja virtual sob seu controle.
É nela que a empresa pode fortalecer sua marca, conhecer melhor seus clientes, desenvolver relacionamentos e estimular novas compras, sem depender exclusivamente das comissões e dos mecanismos de divulgação das
grandes plataformas.
E é justamente nesse ponto que entra o trabalho que desenvolvemos na TheodoroJr.
Não se trata simplesmente de criar um site e colocar produtos à venda.
Planejamos a entrada da empresa no comércio eletrônico, avaliamos suas necessidades, desenvolvemos sua loja virtual, organizamos os produtos e estruturamos sua presença nos marketplaces mais adequados ao negócio.
Trabalhamos com ferramentas testadas e sistemas integrados que facilitam a administração de produtos, estoques e pedidos.
Dependendo da estrutura e do volume de vendas, um único profissional pode administrar a loja própria e diferentes marketplaces, com mais organização e controle.
Nossa proposta é aproveitar a visibilidade das grandes plataformas para conquistar novos compradores e, paralelamente, fortalecer o canal próprio, criando oportunidades de recompra, fidelização e melhores margens.
Naturalmente, tudo isso exige planejamento. Uma loja própria também possui custos de manutenção, divulgação, tecnologia e operação. Mas oferece algo muito importante: maior autonomia para construir o futuro do negócio.
É como ter uma loja em um shopping movimentado, mas também possuir seu próprio imóvel comercial, onde você estabelece suas estratégias e desenvolve um relacionamento direto com os clientes.
Não precisamos escolher entre uma coisa e outra. Podemos trabalhar com as duas, aproveitando as vantagens de cada canal.
O marketplace pode ajudar a conquistar o cliente. A loja própria pode ajudar a manter esse relacionamento, respeitando as regras das plataformas e a legislação de proteção de dados.
Uma coisa é ter um ponto de venda. Outra, muito diferente, é ser dono dele.
E deixo uma pergunta para quem empreende:
Se amanhã sua conta no principal marketplace fosse bloqueada, sua empresa conseguiria continuar vendendo?
Essa é uma reflexão que merece atenção antes que o problema aconteça.
Nelson Theodoro Junior, Presidente da Associação Comercial e Industrial de Mogi Mirim, Diretor da Fecomercio-SP, Diretor do Sincomércio de Mogi Mirim e Presidente do Conselho do Patrimônio de Mogi Mirim.




