Gazeta Itapirense

Três vazamentos, menos de 200 metros e meses de espera: o retrato do abandono do SAAE  

A poucos metros da Praça Nove de Julho e do Ginásio de Esportes Itapirão, três vazamentos de água potável expõem um problema que moradores consideram cada vez mais frequente em Itapira: a incapacidade do Serviço Autônomo de Água e Esgotos (SAAE) de realizar reparos definitivos e impedir o desperdício de milhões de litros de água tratada.

O mais impressionante é que os três pontos estão localizados em ruas próximas umas das outras, separados por cerca de apenas 200 metros. Em todos os locais visitados pela reportagem da Gazeta, a reclamação foi exatamente a mesma: vazamentos antigos, buracos aumentando de tamanho e promessas de reparo que nunca saem do papel.

A situação levanta questionamentos sobre a atual gestão do prefeito Toninho Bellini, justamente o político que, anos atrás, transformou o SAAE em uma de suas principais bandeiras políticas. Hoje, porém, o cenário encontrado em diversos bairros da cidade é marcado por vazamentos, afundamentos de solo, remendos que não duram e reclamações constantes da população.

O primeiro problema está localizado na Rua General Carneiro, esquina com a Rua Visconde de Ouro Preto, ao lado da Praça Nove de Julho. Segundo moradores, o vazamento já se aproxima de três meses sem solução.

Vazamento virou cratera na Nove de Julho e quase derrubou motociclista (Foto: Gilmar Carvalho/Gazeta)

Além da água escorrendo continuamente, o asfalto cedeu e formou um buraco considerado perigoso por quem passa pelo local diariamente.

“Outro dia teve uma moto que caiu com a roda da frente dentro do buraco. Por pouco não aconteceu uma tragédia”, relatou um morador que preferiu não se identificar. No local, a água jorra ininterruptamente enquanto o buraco continua aumentando.

Poucos metros adiante, na Rua Duque de Caxias, em frente ao Ginásio Itapirão, a situação se repete. O vazamento está localizado praticamente no meio da via e, segundo moradores, permanece sem solução há mais de 40 dias.

A dona de casa Lucinda Santos Ribeiro não escondeu a indignação ao conversar com a reportagem. “Eles arrumaram um vazamento outro dia bem perto desse aí, uns 15 metros de distância, pra cima. Esse aqui deixaram para trás. Acho que consertaram o outro só porque era mais perto da Delegacia. É uma vergonha essa Prefeitura”, criticou.

Em frente o Itapirão a água desce pela via: arrumaram um e deixaram outro (Foto: Gilmar Carvalho/Gazeta)

O terceiro ponto visitado pela reportagem fica na Rua Joaquim Inácio da Silveira e talvez seja o exemplo mais emblemático do problema.

Ali existem dois vazamentos praticamente lado a lado. A água escorre por grande parte da rua, mantendo o asfalto constantemente molhado.

O detalhe que mais revolta os moradores é que o SAAE realizou um reparo no local há poucos meses. O remendo feito após a obra já apresenta afundamentos e sinais de deterioração, enquanto novos vazamentos surgiram ao lado da intervenção recente.

“Não dá para acreditar que a gente paga imposto para a Prefeitura deixar chegar nesse ponto. Tem um verdadeiro chafariz jogando água para cima e outro vazamento no meio da rua. Passo aqui todos os dias para ir trabalhar e fico revoltado com tanto descaso”, afirmou o metalúrgico Joel Marcílio Leite.

Na Joaquim Inácio da Silveira, são dois vazamentos: água toma conta de toda a extensão da via (Foto: Gilmar Carvalho/Gazeta)

O problema vai além do desperdício de água tratada. Os vazamentos comprometem a pavimentação, aumentam os riscos de acidentes e geram prejuízos ao próprio patrimônio público, já que os reparos acabam sendo refeitos repetidamente sem resolver a origem dos problemas.

Ao lado do vazamento, serviço meia boca feito anteriormente está prestes a estourar (Foto: Gilmar Carvalho/Gazeta)

A sensação entre os moradores é de que a cidade entrou em um ciclo de manutenção precária, onde buracos são tampados de forma provisória, voltam a abrir poucos meses depois e exigem novos gastos dos cofres públicos.

Para quem acompanha a situação do saneamento municipal, a cena simboliza o desgaste de uma autarquia que já foi motivo de orgulho para muitos itapirenses. Hoje, porém, os vazamentos se espalham por diversos bairros e se tornaram uma das reclamações mais frequentes encaminhadas à redação da Gazeta.

Enquanto isso, milhares de litros de água tratada continuam sendo desperdiçados diariamente em apenas três pontos localizados a menos de 200 metros uns dos outros, bem no coração da cidade.

Outro Lado

Questionamos o Departamento de Comunicação da Prefeitura sobre um previsão de conserto e a resposta foi a seguinte: “A autarquia tem conhecimento das três demandas e os reparos estão na programação para a semana que vem”.