Três anos depois, novo prédio da Fatec continua refém da politicagem de Toninho Bellini
Em julho deste ano, completa-se um marco que dificilmente pode ser comemorado pela comunidade acadêmica e pela população em geral de Itapira: três anos desde que o deputado estadual Barros Munhoz formalizou à Prefeitura o pedido de cessão de uma área pública para a construção da nova sede da Fatec “Ogari de Castro Pacheco”. Três anos depois, o prédio continua apenas no papel.
A história é conhecida nos bastidores políticos da cidade, mas cada vez mais difícil de ser explicada à população. Afinal, o que impede uma obra considerada essencial para centenas de estudantes e para o desenvolvimento da educação tecnológica de Itapira?
Pelos documentos obtidos pela reportagem, a resposta parece estar muito mais ligada à política rasteira do prefeito Toninho Bellini do que à falta de recursos.
Dinheiro garantido, terreno disponível e obra travada
Em 7 de julho de 2023, Totonho Munhoz encaminhou ofício ao então prefeito Toninho Bellini solicitando uma área pública municipal de aproximadamente 4,5 mil metros quadrados para a construção da nova Fatec.
No documento, o parlamentar assumia o compromisso de buscar junto ao Governo do Estado os recursos necessários para a obra.
A área indicada fica no Parque Santa Bárbara, ao lado da Etec João Maria Stevanatto, local considerado ideal do ponto de vista técnico e educacional para formar um polo de ensino profissionalizante.

Um detalhe: a área pertence à municipalidade e não seria preciso gastar nada.
Desde então, o Centro Paula Souza, responsável pelas Fatecs e Etecs do Estado, formalizou pedido, encaminhou estudos técnicos e cobrou sucessivas respostas da Prefeitura. Munhoz fez a mesma coisa em julho de 2024, pedindo uma resposta positiva ao prefeito.

Os documentos mostram uma sequência de ofícios enviados ao Executivo municipal em julho de 2024, dezembro de 2024, janeiro de 2025 e fevereiro de 2025, sem que uma solução definitiva fosse apresentada.
Enquanto isso, os meses passaram e a obra continuou parada.
A disputa pela área
O principal entrave está justamente no terreno. Segundo os documentos, a Prefeitura passou a defender que uma parte da área fosse destinada à construção da futura sede do Corpo de Bombeiros.
O problema é que a redução da metragem descaracteriza o projeto inicialmente aprovado para a Fatec.
O próprio Centro Paula Souza comunicou oficialmente que a área remanescente não atenderia às exigências técnicas necessárias para a implantação da unidade.

Ou seja: ao insistir em dividir o terreno, a Prefeitura inviabiliza exatamente o local que o Estado considera adequado para receber o novo prédio.
O que mais chama atenção é que a área pertence ao município. Não seria necessário gastar um único centavo para disponibilizá-la ao Estado.
Além disso, segundo fontes ouvidas pela reportagem, existem outras áreas públicas com condições de receber futuramente uma unidade do Corpo de Bombeiros sem comprometer o projeto educacional.
Ainda assim, a administração municipal mantém a resistência.

A conta da politicagem
Nos bastidores, poucos escondem o motivo do impasse.
Barros Munhoz e Toninho Bellini são adversários políticos históricos.
E a percepção crescente entre estudantes, professores e lideranças ligadas à educação é de que a Fatec acabou se tornando vítima da politicagem do prefeito Toninho Bellini.
Ele não consegue dinheiro para a obra e enrola para aceitar quando os recursos vêm do deputado Totonho Munhoz.
Quem perde com essa pirraça sem cabimento algum do prefeito é Itapira e sua gente.
A avaliação é simples: como os recursos e a articulação para a obra vieram por meio do deputado, o projeto passou a enfrentar obstáculos que dificilmente existiriam se tivesse nascido dentro da própria Prefeitura.
O resultado dessa queda de braço política é que os maiores prejudicados são os alunos.
Prédio sofre com problemas estruturais
Enquanto o novo campus não sai do papel, a Fatec continua funcionando em um imóvel que há anos apresenta limitações estruturais.
Relatórios e registros apontam problemas que vão desde infiltrações até goteiras causadas por chuvas mais intensas.
A situação está longe da estrutura que uma instituição de ensino superior tecnológica merece.
A nova unidade permitiria ampliação de cursos, melhores laboratórios, espaços mais modernos e condições adequadas para atender a demanda crescente por qualificação profissional.
Mas, três anos depois do primeiro ofício, os estudantes continuam esperando.
A alternativa virou disputa judicial
Em 2025, a Prefeitura passou a defender outra solução: a compra de uma área particular também localizada no Parque Santa Bárbara.
O plano, porém, encontrou um novo obstáculo.
Segundo informações obtidas pela reportagem, os proprietários não aceitaram o valor pretendido pela administração municipal e o caso acabou evoluindo para uma discussão judicial.
A Gazeta consultou informações junto ao Cartório de Registro de Imóveis e não encontrou, até o momento, movimentações que indiquem a transferência da área ao Estado para viabilizar o empreendimento.
Na prática, a alternativa apresentada pela Prefeitura continua cercada de incertezas.
Enquanto isso, o terreno público originalmente solicitado segue disponível.
O relógio corre contra Itapira
Especialistas ouvidos pela reportagem lembram que obras públicas dessa magnitude exigem uma série de etapas burocráticas após a definição do terreno, incluindo projetos executivos, aprovações técnicas, licitações e execução da construção.
Isso significa que, mesmo que a questão fosse resolvida hoje, o novo prédio dificilmente ficaria pronto antes de 2028.
Uma realidade que revolta quem acompanha o processo desde o início.
Ele já era para estar pronto e a Fatec funcionando lá.
A sensação predominante é de que Itapira está perdendo tempo por motivos políticos por parte de um prefeito que leva para o lado pessoal suas desavenças pessoais.
Enquanto alunos seguem estudando em uma estrutura considerada inadequada, o município desperdiça a oportunidade de fortalecer um dos seus principais instrumentos de formação profissional.
Três anos depois do primeiro pedido formal, a pergunta permanece sem resposta convincente: por que não liberar uma área pública já disponível para uma obra considerada estratégica para o futuro da cidade?





