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Gazeta Itapirense

Toninho Bellini vai esperar alguém morrer na esquina da Tiradentes com a Embaixador pra agir?

Pelo visto o ‘desaparecido’ e inerte prefeito Toninho Bellini está esperando ocorrer um acidente com vítima fatal na esquina das ruas Tiradentes e Embaixador Pedro de Toledo para fazer algo de concreto.

O cruzamento mais complicado da cidade voltou a expor um problema antigo e que parece estar longe de uma solução: os acidentes que se repetem praticamente toda semana, enquanto moradores e comerciantes cobram uma intervenção do poder público.

Isso sem contar as diversas situações de riscos diárias.

O local é uma das principais ligações entre a região central e bairros como Jardim Magali, Vila Izaura, Vila Ilze, Cubatão, entre outros. Com intenso movimento de veículos ao longo do dia, o cruzamento se transformou, segundo moradores, em um ponto de atenção permanente para quem precisa passar pelo trecho.

Esquina pra lá de complicada segue sem ação alguma da Prefeitura (Foto: Gilmar Carvalho/Gazeta)

Na segunda-feira,14, duas pessoas ficaram feridas após uma colisão envolvendo dois carros no cruzamento. Hoje, durante a presença da reportagem da Gazeta no local para apurar a situação, outro acidente foi registrado, desta vez na esquina de cima, no encontro da Rua Tiradentes com a Rua Francisco Glicério.

Uma Ford EcoSport parou no local e uma motocicleta Honda CG acabou atingindo a traseira do veículo. A moto sofreu danos na parte dianteira, mas, felizmente, não houve registro de vítimas.

Moto perdeu parte do para-lama dianteiro após choque (Foto: Gilmar Carvalho/Gazeta)

O que chamou a atenção da reportagem, porém, foi que a nova colisão aconteceu justamente enquanto moradores e comerciantes eram ouvidos sobre o histórico de acidentes e situações de risco na região.

“Quase toda semana tem acidente, e isso quando não tem dois por semana”, relatou o morador Paulo Afonso Nogueira, que vive há cerca de 35 anos em uma residência bem na famigerada esquina.

Segundo ele, o problema é antigo e já foi levado ao conhecimento do poder público em diferentes oportunidades. Paulo afirma que moradores chegaram a organizar abaixo-assinados e também procuraram vereadores em busca de uma solução.

Paulo Nogueira mora há décadas no local: “não tomam providências” (Foto: Gilmar Carvalho/Gazeta)

“Já fizemos vários abaixo-assinados durante todos os governos, ao longo de mais de 30 anos”, contou.

O morador também aponta a velocidade dos veículos e o desrespeito à sinalização como fatores que aumentam o risco no cruzamento. Para ele, a sensação entre quem vive no local é de abandono.

“Eu me sinto abandonado. A Prefeitura, ou os órgãos que tratam do trânsito, sabem do problema e não dão uma providência”, afirmou.

Segundo Paulo, uma das poucas intervenções que apresentou resultado ocorreu anos atrás, quando foram instalados dispositivos conhecidos como “olhos de gato” na Rua Embaixador Pedro de Toledo. De acordo com ele, a medida ajudou a reduzir os acidentes, mas posteriormente os dispositivos foram retirados.

Durante pouco mais de 30 minutos que nossa reportagem esteve no local outro problema frequente foi observado: o trânsito de caminhões grande pelas vias.

Em maio deste ano, atendendo a um pedido do vereador André Siqueira, a Prefeitura instalou uma nova sinalização de trânsito para alertar os motoristas de caminhão para não subir o Viaduto Tiradentes.

Mas o dispositivo não tem resolvido muita coisa. “O povo só sente no bolso, se não multar os caminhoneiros que sobem o viaduto não vão parar. Tem que ter câmera e multar, eles continuam passando”, disse a dona de casa Cleide Maria rocha, que mora nas proximidades do Viaduto Tiradentes.

Um imóvel localizado que funciona o polo de uma universidade que fica bem na esquina das duas ruas problemáticas teve seu letreiro e parte da estrutura danificados por caminhões que insistem em passar pela região.

Na noite desta segunda-feira, 14, outra pancada violenta: duas vítimas (Gazeta Itapirense)

Especialista defende estudo técnico

A reportagem também levou até o local o educador de trânsito Alessandro Froes, observador certificado do Observatório Nacional de Segurança Viária, que acompanhou o movimento no cruzamento e avaliou as condições do trecho.

Para Froes, além da necessidade de conscientização dos motoristas, é preciso melhorar a infraestrutura e a sinalização.

“Você percebe que até as faixas de pedestres estão apagadas”, avaliou.

Entre as possibilidades para reduzir a velocidade e organizar o fluxo, o especialista citou a implantação de uma faixa elevada ou outra intervenção devidamente sinalizada. Ele também chamou atenção para o trânsito de veículos de maior porte em ruas estreitas da região.

Froes, no entanto, defende que qualquer solução definitiva seja precedida por um estudo técnico de engenharia de tráfego.

Especialista no assunto, Froes sugere estudo e medidas urgentes (Foto: Gilmar Carvalho/Gazeta)

“Não é meramente colocar uma lombada ou colocar qualquer coisa paliativa. Tem que ser um estudo técnico”, afirmou.

Na avaliação do especialista, uma intervenção estrutural poderia inclusive envolver mudanças na configuração do cruzamento. Ele citou como possibilidade a desapropriação de um imóvel localizado em uma das esquinas, desde que baseada em estudos técnicos e procedimentos legais.

“Com estudo técnico e engenheiro de tráfego, para melhorar aqui o fluxo de veículo. É um local crítico”, destacou.

O educador também alertou para o risco de que a sequência de acidentes possa resultar em ocorrências ainda mais graves caso nenhuma medida seja adotada.

“Faz décadas que é desse jeito, você é da imprensa e tem noticiado acidente aqui, com vítimas graves e possivelmente, se deixar dessa maneira, pode até ter óbito em um futuro”, afirmou.

Dispositivo suspenso na via com sinal e placa seria uma alternativa (Foto: Gilmar Carvalho/Gazeta)

Outro lado

A reportagem da Gazeta enviou questionamento para o Departamento de Comunicação da Prefeitura para saber se há alguma previsão para que alguma medida seja tomada.

A resposta foi a seguinte:

“O Departamento de Trânsito de Itapira tem pleno conhecimento sobre o histórico de ocorrências e o número recorrente de acidentes registrados no cruzamento entre as ruas Tiradentes e Embaixador Pedro de Toledo, no Centro da cidade. O órgão acompanha a situação do local e dispõe do levantamento e monitoramento das ocorrências registradas na via.

Diante da frequência dos acidentes e das solicitações de moradores e comerciantes da região, o Departamento de Trânsito esclarece que já está realizando estudos técnicos para avaliar a dinâmica do fluxo veicular e mapear as principais causas dos pontos de conflito no cruzamento.

Entre as medidas em análise no projeto, o órgão estuda intervenções voltadas a reforçar a segurança e minimizar os riscos no local. As opções em avaliação abrangem o reforço da sinalização horizontal e vertical, a possibilidade de implantação de novos dispositivos de sinalização e diminuição da velocidade de circulação da via.

Em razão do recente acidente registrado na última segunda-feira (14), o Departamento de Trânsito informa que a equipe técnica intensificou a fiscalização e a análise de campo. As avaliações em andamento priorizam a adoção de medidas eficazes para mitigar os riscos de novas colisões, com previsão de divulgar o cronograma das intervenções assim que os estudos técnicos forem finalizados.”