Toninho Bellini dá ‘chapéu’ no funcionalismo, muda data de pagamento e provoca revolta
A poucos dias do fim do mês, servidores públicos municipais de Itapira foram surpreendidos com uma mudança inesperada na data de pagamento dos salários de fevereiro de 2026. O depósito, que tradicionalmente ocorre no último dia útil do mês trabalhado, não será feito nesta sexta-feira,27, como era aguardado. O funcionalismo levou um chapéu do beque de várzea Toninho Bellini.
De acordo com comunicado divulgado pela própria Prefeitura, “a pedido da Secretaria Municipal de Fazenda”, o pagamento de todos os servidores — ativos, aposentados e pensionistas — será realizado apenas no quinto dia útil de março, ou seja, só na sexta-feira, 06. A administração informou ainda que apenas o crédito do ticket alimentação será mantido na data inicialmente prevista.
A comunicação interna teria foi feita no fim da tarde de quarta-feira,25, sem detalhamento técnico ou justificativa pública que explicasse a necessidade da alteração. A decisão, tomada praticamente na véspera, gerou forte reação entre os trabalhadores.

Quebra de previsibilidade
Durante anos, os servidores organizaram seus compromissos financeiros com base no recebimento até o último dia útil do mês. Aluguel, financiamento, contas básicas e despesas escolares seguem calendários fixos. A mudança abrupta, sem aviso prévio, rompe essa previsibilidade.
Embora a legislação permita que o pagamento ocorra até o quinto dia útil, o ponto central da insatisfação não é apenas legal, mas administrativo: a alteração de uma prática consolidada, sem diálogo e sem antecedência.
Sindicato reage com nota de repúdio
O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Itapira divulgou nota de repúdio classificando a medida como unilateral e desrespeitosa. No texto, a entidade afirma que a decisão “gera insegurança, aflição e prejuízos reais às famílias servidoras” e que mudar regras “em cima da hora” não representa gestão responsável.
A presidente do sindicato, Cristina Gomes, cobra explicações formais da Prefeitura sobre os motivos da mudança e exige que futuras alterações sejam comunicadas com antecedência e transparência.
A entidade destaca ainda que o debate não se resume à data em si, mas à forma como a decisão foi conduzida. “Servidor público não pode ser surpreendido na véspera”, reforça a nota.

Falta de explicação pública
Até o momento, a administração municipal não apresentou esclarecimentos detalhados sobre as razões financeiras ou administrativas que motivaram a alteração. O comunicado oficial limita-se a informar que a mudança ocorreu por solicitação da Secretaria de Fazenda, sem apontar se há impacto de caixa, contingenciamento ou outro fator extraordinário.
A ausência de justificativa pública amplia o desgaste político e administrativo do episódio.
A reportagem da Gazeta entrou em contato com o departamento de Comunicação da Prefeitura e a resposta foi que estão aguardando um posicionamento da Secretaria de Fazenda.
Clima de tensão
A mudança ocorre em um cenário em que previsibilidade e confiança institucional são elementos fundamentais na relação entre governo e funcionalismo. Ao optar por comunicar a alteração a poucos dias do pagamento, a administração municipal abre uma frente de desgaste desnecessária com a própria base de serviços públicos da cidade.
O caso agora se desdobra no campo político e sindical, com expectativa de posicionamento oficial mais detalhado por parte da Prefeitura.






