Gazeta Itapirense

Programas sociais, discurso político e a atenção que o Brasil precisa ter, por Nelson Theodoro  

No último sábado, durante a festa em comemoração ao aniversário do Partido dos Trabalhadores, realizada em Salvador, o presidente Lula fez uma declaração que rapidamente ganhou repercussão. Em seu discurso, afirmou que cerca de 90% dos evangélicos recebem benefícios do governo, dizendo que, a cada dez evangélicos, nove estariam inseridos em programas sociais.

Trata-se de uma informação que, até o momento, não foi confirmada por órgãos oficiais ou institutos responsáveis por pesquisas no país. E quando números dessa magnitude são apresentados sem comprovação clara, o alerta precisa ser ligado.

O que mais preocupa não é apenas a veracidade do dado, mas o sentido político do discurso. A fala do presidente sugere, ainda que de forma indireta, uma associação entre a concessão de benefícios sociais e a garantia de apoio eleitoral. Esse tipo de narrativa é delicado e perigoso, pois transforma políticas públicas — que deveriam ser instrumentos de proteção social — em ferramentas de disputa política.

É importante lembrar que quem precisa dos programas sociais, independentemente de religião, não deseja permanecer neles para sempre. O desejo da maioria das famílias é melhorar de vida, conquistar um bom emprego, ter moradia digna, formar sua família e oferecer um futuro melhor para seus filhos. Programas de transferência de renda devem ser pontes, não destinos finais.

Em um país com tantas desigualdades, o uso de auxílios sociais não pode ser tratado como doutrina ideológica, tampouco como moeda eleitoral. Eles devem ser vistos como uma necessidade momentânea, um apoio temporário enquanto o cidadão constrói sua autonomia por meio do trabalho, da educação e das oportunidades.

Independentemente de partido, candidato ou cargo que se deseje ocupar, é fundamental que a escolha da sociedade recaia sobre aqueles que demonstram, de forma contínua, compromisso real com a melhoria da qualidade de vida da população. Precisamos de lideranças que ajudem as pessoas a serem melhores em todos os aspectos: educacional, social, econômico e humano.

Este é um ano em que todos nós precisamos estar atentos. Discursos fáceis, números não confirmados e promessas implícitas podem esconder armadilhas. O debate público exige responsabilidade, transparência e, acima de tudo, respeito com quem mais precisa.

Mais do que dependência, o Brasil precisa de políticas que promovam dignidade, autonomia e um futuro melhor para todos

Por: Nelson Theodoro