Novo secretário: Ramon Sartorelli quer aproximar a cultura da população
O novo secretário de Cultura de Itapira, Ramon Sartorelli, chega ao cargo com um discurso pautado no diálogo, na descentralização das ações culturais e na valorização da identidade do município.
Envolvido com a cultura de Itapira e da região há muitos anos, a escolha de Ramon vem sendo considerada a melhor para a Pasta que neste mandato do prefeito Toninho Bellini foi alvo de denúncias graves em meados de 2025.
Depois da saída de Roniana Valentim, a Secretaria da Cultura foi assumida de forma cumulativa por Celso Pelizer, que é também secretário de Desenvolvimento Econômico.
Jornalista formado pela PUC desde 1992, também graduado em História e em fase de conclusão do curso de Pedagogia, além de estudante de Ciência e da Criatividade, Ramon afirma que sua ligação com a cultura começou ainda na adolescência — e nasceu no palco.
“Eu não era muito bom na parte esportiva, então o que sobrou foi o teatro”, relembra, ao contar que, em 1988, durante a Olimpíada da escola Antônio Caio, escreveu a peça “Giro Mundo”, que acabou premiada. “Ali eu decidi que seria jornalista. Por isso que é bom a escola, ela desperta a gente.”
Ele se reuniu com os profissionais da secretaria em uma dinâmica e para a primeira reunião onde muito seu ouviu sobre o papel de cada um.

Teatro como ferramenta de transformação
Ao longo dos anos, Sartorelli integrou grupos teatrais como o Romildo Amarela e criou o Grupo Teatral Essência do Cuidar, com peças voltadas à temática do cuidado ao próximo, abordando figuras como Irmã Angélica, Francisco de Assis e Santa Josefina Bakhita.
Para ele, o teatro vai além da arte: é instrumento de formação pessoal e social. “O teatro contribui para desinibir, para crescer como pessoa. Eu era muito tímido, muito fechado. A cultura transforma”, afirma.
Essa visão social da cultura será uma das marcas da nova gestão. Ramon defende a ampliação de atividades culturais como forma de inclusão e prevenção. “Se eu levo aula de teatro, de dança, para um bairro, eu tiro essa criança da rua, incentivo para uma parte mais artística.”

Cultura nos bairros e escuta ativa
Entre as principais propostas está a descentralização das ações culturais. O secretário pretende levar atividades para bairros da cidade, ouvindo a população antes de definir as iniciativas.
“Eu não estou falando que vou simplesmente levar uma peça de teatro. Quero conhecer o bairro, entender a realidade, saber o que eles gostariam e construir junto”, disse.
Ele cita como exemplo a possibilidade de batalhas de rima e outras manifestações culturais contemporâneas. “Se temos público para isso, por que não pensar? É uma manifestação cultural.”
Revisão de eventos e responsabilidade com recursos
Sartorelli também destaca que pretende fazer um levantamento detalhado dos custos dos eventos culturais antes de confirmar programações. A prioridade, segundo ele, é usar o orçamento com responsabilidade.
“Eu quero saber quanto se gastou e quanto eu tenho para gastar. Não posso direcionar todo o orçamento para uma única coisa, eu preciso pensar no ano inteiro.”
Ele afirma que já conseguiu reduzir custos no Carnaval deste ano e acredita que, com planejamento antecipado, é possível otimizar ainda mais os recursos. “A cultura não é desperdício. Ela vem para somar e ajudar socialmente.”
Valorização da identidade e do patrimônio
Outra frente de atuação será a valorização da história e dos símbolos locais. Ramon defende o fortalecimento de iniciativas como a retomada da Semana Juca Mulato e a criação de roteiros culturais ligados à Revolução de 1932.
Além disso, quer ampliar a divulgação do Museu de História Natural e incentivar o artesanato local com produtos que representem a identidade itapirense. “Itapira tem muita coisa. O pessoal fala que não tem nada, mas tem muita coisa. Somos privilegiados.”
Ele sugere, inclusive, a criação de souvenires com referências a Juca Mulato, São Benedito e à Congada, como forma de fortalecer o sentimento de pertencimento e fomentar a economia criativa.
O que o itapirense pode esperar
Ao final da entrevista, o novo secretário resumiu o que pretende entregar à população: “Muito diálogo. Não quero aparecer sozinho, quero que a equipe apareça. Quero trabalhar para todos”.
Ele reforça que a gestão será pautada na criatividade diante das limitações orçamentárias. “Se eu ficar só falando que não tem dinheiro, não faço nada. Eu tenho que pensar: não tenho dinheiro, mas o que posso fazer?”
Com discurso conciliador e foco em participação coletiva, Ramon Sartorelli inicia sua gestão prometendo uma cultura mais próxima das pessoas, atenta às tradições e aberta às novas manifestações artísticas — com os pés no chão e planejamento como palavra-chave.






