Marcelinho Engraxate mantém viva profissão que resiste ao tempo
Em meio à correria do dia a dia em Itapira, uma figura chama atenção não apenas pela simplicidade, mas pela resistência. Com uma caixa de engraxate nas costas e passos firmes pelas ruas e praças da cidade, Marcelo Amâncio, o Marcelinho Engraxate, de 47 anos, carrega mais do que ferramentas de trabalho: leva consigo uma história de dedicação que começou ainda na infância.
Marcelo tinha apenas 9 anos quando iniciou na profissão. A oportunidade surgiu de forma simples, quase improvisada. Após o irmão abandonar o ofício, ele decidiu assumir a antiga caixa de engraxate. “Era uma caixinha velha, mas eu peguei coragem e comecei”, relembra.
Desde então, o que começou como necessidade virou vocação. Ao longo dos anos, encontrou apoio em pessoas que cruzaram seu caminho. Entre elas, o saudoso comerciante Quico Rovaris, da Casa do Rolo, o incentivou a seguir trabalhando, reconhecendo seu esforço ainda menino e dando um caixa de engraxar nova. Também recebeu ajuda de outros moradores, que contribuíram com novas caixas e palavras de incentivo — gestos que, segundo ele, foram fundamentais para seguir em frente.

Uma das frases que mais marcaram sua trajetória estava escrita em uma das caixas que utilizou no início da carreira: “O trabalho dignifica o homem. Seu futuro depende de você.” Para Marcelo, essa mensagem se transformou em um lema de vida.
Apesar das dificuldades, ele nunca abandonou completamente a profissão. Houve pausas ao longo do caminho, mas o retorno sempre aconteceu. “Parei um tempo, depois voltei. E estou aqui até hoje”, conta.
Atualmente, a rotina já não é como antigamente. O número de clientes diminuiu e a profissão, antes comum nas ruas, hoje caminha para a extinção. Ainda assim, Marcelinho mantém sua clientela fiel, formada principalmente por frequentadores da praça central e clientes fixos que o chamam para atendimentos ao longo da semana.
“Hoje não é mais como antes. Mas tenho meus fregueses, gente que me ajuda e valoriza”, afirma.
Com orgulho, ele diz que construiu sua vida a partir da engraxaria. Criou o filho, hoje com 27 anos, graças ao trabalho que desempenha desde criança. E mesmo diante das mudanças do tempo, não pensa em parar.
“Eu gosto. Eu amo o que faço. É minha profissão”, resume.
Em uma época em que tantas profissões desaparecem silenciosamente, Marcelo segue caminhando pelas ruas com sua caixa nas costas, mantendo viva uma tradição que mar marcou gerações.
Mais do que engraxar sapatos, ele carrega histórias, encontros e valores que resistem ao tempo. E deixa uma mensagem simples, mas poderosa: “Tudo depende da gente. O trabalho dignifica o homem.”





