Gazeta Itapirense

Lambança no Cubatão: vazamento é “maquiado” com asfalto e rua volta a romper

O desperdício de água potável e a aparente falta de planejamento entre Prefeitura e SAAE voltaram a provocar indignação de moradores em Itapira. Desta vez, o problema ocorre na Rua Milico, no bairro Cubatão, justamente em frente a uma creche, onde um vazamento que já se arrasta há meses acabou se transformando em símbolo do improviso e da ineficiência administrativa.

Segundo denúncias enviadas por moradores à reportagem da Gazeta, havia no local um grande buraco causado pelo vazamento contínuo de água. O problema permaneceu aberto por meses até que, há cerca de um mês, equipes estiveram no endereço e despejaram massa asfáltica sobre a cratera.

Cratera no meio da rua ficou meses jorrando água (Gazeta Itapirense)

Mas havia um detalhe absurdo: o vazamento não havia sido consertado.

O resultado era previsível.

Sem resolver a origem do problema, a água continuou escorrendo por baixo do asfalto recém-colocado até romper completamente a nova camada aplicada. Agora, o local voltou a apresentar infiltrações, grande quantidade de água escorrendo pela sarjeta e desperdício contínuo indo diretamente para um bueiro.

A cena revoltou moradores da região, principalmente pelo fato de o serviço ter sido realizado em frente a uma unidade escolar infantil. Para quem acompanha a situação diariamente, a sensação é de dinheiro público sendo literalmente enterrado em cima do problema — sem resolver absolutamente nada.

Depois de muito tempo, Prefeitura jogou camada asfáltica em cima do buraco sem arrumar o vazamento; água rompeu e voltou a jorrar (Foto: Gilmar Carvalho/Gazeta)

O episódio expõe um questionamento inevitável: como alguém autoriza jogar asfalto sobre um vazamento ativo de água potável sem antes eliminar o defeito na tubulação?

A impressão deixada é de uma administração que prefere maquiar o problema temporariamente ao invés de solucioná-lo de forma técnica e definitiva.

Na prática, o asfalto novo acabou servindo apenas como uma espécie de “tampa provisória” sobre um vazamento que continuava trabalhando silenciosamente por baixo da rua até destruir novamente a pavimentação.

Além do desperdício de água tratada — algo cada vez mais grave em tempos de crise hídrica — o caso também levanta dúvidas sobre planejamento, comunicação interna e utilização correta de recursos públicos.

Porque agora será necessário gastar novamente.

Novo reparo.

Novo serviço.

Novo asfalto.

Tudo isso em um problema que já poderia ter sido resolvido corretamente desde o início.

Após questionamento feito pela Gazeta, o Departamento de Comunicação da Prefeitura encaminhou nota do SAAE confirmando que o problema é conhecido pela autarquia.

Segundo o órgão, uma ação mais ampla já está programada para começar na próxima semana, a partir do dia 1º de junho, com prazo estimado de até cinco dias para conclusão.

Ainda conforme o SAAE, já haviam sido realizadas intervenções anteriores no local, mas, devido à recorrência do problema, será necessária agora a substituição completa da ligação de água para buscar uma solução definitiva.

Embora a autarquia afirme acompanhar a situação e manter compromisso com a melhoria contínua dos serviços, a justificativa dificilmente diminui a indignação dos moradores diante da sequência de erros que culminou justamente na destruição do asfalto recém-aplicado.

No fim das contas, a imagem que permanece é emblemática: a água venceu o asfalto.

E talvez isso diga muito sobre a forma improvisada como alguns problemas públicos vêm sendo tratados em Itapira.