Itapirenses perderam quase meio milhão de reais para estelionatários em julho
Mais de R$ 430 mil. Esse é o prejuízo causado por golpistas a moradores de Itapira em ocorrências registradas somente no mês de julho, segundo levantamento realizado pela reportagem da Gazeta com base em boletins de ocorrência registrados até a última quinta-feira, 23.
Os números revelam uma realidade preocupante: praticamente todo dia uma nova vítima procura a Polícia Civil para denunciar ter sido enganada por criminosos que se aproveitam da confiança, da tecnologia e da vulnerabilidade emocional das pessoas.
Os golpes são variados, mas seguem um mesmo roteiro: criminosos se passam por advogados, gerentes de bancos, funcionários de instituições financeiras, representantes do Serasa, promotores de Justiça ou até atendentes de plataformas de vendas. Em comum, todos utilizam engenharia social para convencer as vítimas a realizar transferências bancárias, contratar empréstimos, instalar aplicativos ou fornecer dados pessoais e bancários.
Entre os casos mais graves registrados está o de uma vítima que perdeu R$ 259,6 mil após receber uma ligação de criminosos que se passaram por representantes da Receita Federal. Sob ameaças e alegando que sua conta bancária estava sendo monitorada, os estelionatários convenceram a vítima a realizar três transferências bancárias, causando um dos maiores prejuízos financeiros registrados no período.
Outra ocorrência que chamou a atenção envolveu o chamado “golpe do falso advogado”. A vítima, que aguardava a concessão da aposentadoria, recebeu mensagens de uma pessoa que dizia ser sua advogada. Convencida de que precisava cumprir exigências para liberar o benefício, acabou transferindo quase R$ 50 mil e ainda contratou um empréstimo superior a R$ 31 mil, dinheiro que também foi direcionado aos criminosos.
Os falsos advogados, aliás, aparecem entre as modalidades mais frequentes. Em outra ocorrência, uma moradora acreditou estar tratando sobre valores de uma ação judicial e, seguindo orientações de um suposto promotor de Justiça, realizou transferências, aumentou o limite bancário e contratou empréstimos, acumulando um prejuízo de quase R$ 9 mil.
As falsas centrais de atendimento bancário também continuam fazendo vítimas. Em diversos registros, criminosos se passaram por funcionários de bancos como Santander, Caixa Econômica Federal, Itaú e Crefisa, alegando movimentações suspeitas nas contas. Durante as ligações, convenciam as vítimas a instalar aplicativos de acesso remoto, compartilhar dados ou realizar transferências para supostas “contas seguras”. Em muitos casos, além dos PIX, os criminosos ainda contrataram empréstimos em nome das vítimas antes de esvaziar suas contas.
Também foram registrados golpes envolvendo falsas vendas pela internet. Moradores perderam dinheiro ao negociar motocicletas e motonetas anunciadas em redes sociais e plataformas de comércio eletrônico, além de casos em que supostos atendentes do Mercado Pago convenceram compradores a efetuar pagamentos de boletos e transferências via PIX.
Outro tipo de fraude identificada foi o falso serviço de regularização de CPF. Criminosos se apresentaram como representantes de uma empresa parceira do Serasa e prometeram retirar restrições cadastrais mediante o pagamento de taxas. Após sucessivas cobranças, a vítima percebeu que havia sido enganada.
Nem mesmo quem não realizou qualquer movimentação bancária escapou dos estelionatários. Em um dos registros, uma vítima descobriu que seu cartão de crédito, que sequer havia sido utilizado anteriormente, foi alvo de compras fraudulentas.
O levantamento da Gazeta mostra que os criminosos exploram principalmente o medo, a urgência e a confiança das vítimas. Em praticamente todas as ocorrências, os autores criaram situações que exigiam decisões imediatas, impedindo que os moradores buscassem orientação antes de realizar as operações financeiras.
Especialistas em segurança orientam que bancos, advogados, órgãos públicos e empresas não solicitam senhas, instalação de aplicativos, fotos pessoais, contratação de empréstimos ou transferências para liberar benefícios, cancelar fraudes ou concluir processos judiciais. Em caso de qualquer contato suspeito, a recomendação é interromper imediatamente a conversa, procurar os canais oficiais da instituição envolvida e registrar boletim de ocorrência.
Os mais de R$ 430 mil contabilizados em apenas 23 dias mostram que o estelionato eletrônico se consolidou como uma das modalidades criminosas que mais crescem em Itapira. Mais do que números, os casos representam famílias que perderam economias de anos de trabalho e reforçam a necessidade de redobrar os cuidados diante de ligações, mensagens e contatos recebidos por telefone ou aplicativos.
Delegada dá dicas
Para falar sobre o assunto ouvimos a delegada Seccional Dra. Edna Elvira Salgado Martins, responsável pelas delegacias de Mogi Guaçu, Mogi Mirim, Itapira, Estiva Gerbi, Santo Antônio de Posse, Holambra, Pedreira e Jaguariúna.
“Os golpes são os mais variados e os criminosos estão sempre inovando. Por isso, a principal orientação é que as pessoas fiquem atentas e desconfiem sempre. Ao receber qualquer contato suspeito, interrompa a conversa. Nunca informe números de documentos, senhas ou códigos recebidos por SMS. Os criminosos se aproveitam da confiança e do nervosismo das vítimas para obter dados pessoais e dinheiro. Um exemplo comum é o golpe em que o estelionatário clona um celular e se passa por um parente próximo, alegando uma situação de emergência e pedindo dinheiro. Nesses casos, confirme a informação ligando diretamente para o familiar. Geralmente, eles dizem que estão usando um número novo, mas entre em contato pelo número antigo. Se ainda houver qualquer dúvida, não faça a transferência.A desconfiança é o melhor remédio. Se algo parecer estranho, peça ajuda a alguém de confiança. Não clique em links desconhecidos, não faça pagamentos antecipados e não transfira valores sem antes verificar a veracidade da situação. Sempre que uma oferta parecer muito vantajosa ou uma situação exigir urgência, desconfie. A melhor arma contra os golpistas é a desconfiança. A partir dela, cheque todas as informações.”, pontuou Dra. Edna.
Outro ponto relevante é que, caso a pessoa seja vítima de um golpe, registre um Boletim de Ocorrência na Delegacia mais próxima ou por meio da Delegacia Eletrônica.





