Gazeta Itapirense

Inacreditável: Toninho Bellini manda fechar ‘Pontilhão da Fepasa’ com blocos de concreto

Uma intervenção realizada na base do tradicional Pontilhão da Fepasa  tem provocado forte repercussão e levanta críticas quanto à preservação do patrimônio histórico do município. A construção de paredes com blocos de concreto no local, determinada pelo prefeito Toninho Bellini, é apontada como uma descaracterização de um dos marcos mais emblemáticos da cidade.

A reportagem da Gazeta esteve no pontilhão e constatou de perto as alterações na estrutura, que se aproxima de completar 100 anos. O espaço foi construído entre 1938 e 1942, durante a gestão do então prefeito Caetano Munhoz, com o objetivo de permitir a travessia segura de pedestres sobre a linha férrea que cortava a cidade.

Durante décadas, o pontilhão foi amplamente utilizado, principalmente por trabalhadores do bairro Santa Cruz e regiões próximas, que utilizavam a passagem para acessar a antiga Fábrica de Chapéu Sarkis. Com o passar do tempo, o uso diminuiu, mas o local permaneceu como um símbolo da memória urbana e da história ferroviária de Itapira.

Obra que fica na avenida Rio Branco está quase pronta (Foto: Gilmar Carvalho/Gazeta)

Segundo apuração da reportagem, a intervenção não deve se limitar ao trecho já afetado, que fica na avenida Rio Branco. Há a previsão de que outro vão do pontilhão, localizado na rua Fleming, também seja fechado com blocos de concreto, o que amplia ainda mais a preocupação de moradores e defensores do patrimônio.

O caso chama atenção por envolver possível conflito com a legislação municipal de proteção ao patrimônio criada pelo próprio Toninho Bellini. A Lei nº 6.291 de 2023 estabelece diretrizes claras para a preservação de bens de valor histórico, cultural, natural e paisagístico no município. Entre seus principais pontos, a lei determina a proteção tanto de bens materiais quanto imateriais, além de prever instrumentos e procedimentos para evitar a descaracterização de estruturas históricas.

Fechamento será total: um ataque contra a história da cidade (Foto: Gilmar Carvalho/Gazeta)

A legislação também reforça a atuação do Conselho Municipal de Patrimônio, órgão responsável por acompanhar, avaliar e deliberar sobre intervenções em bens protegidos, justamente para garantir que alterações respeitem as características originais dos espaços.

Complementando essa proteção, o Decreto nº 144 de 2025, também de Toninho Bellini, definiu um rol de imóveis considerados protegidos no município. Entre eles está a área da Estação da Companhia Mogiana, onde se encontra o pontilhão. A inclusão no decreto reforça o entendimento de que o local deveria ser preservado, evitando intervenções que comprometam sua originalidade e valor histórico.

A situação ganha ainda mais peso ao relembrar um episódio ocorrido em 2011, também durante gestão de Toninho Bellini. Na ocasião, houve a intenção de demolir o pontilhão para a construção de um prédio público. A proposta, no entanto, foi abandonada após forte reação negativa da população.

Pedreiros irão para a outra base entre hoje e amanhã (Foto: Gilmar Carvalho/Gazeta)

Agora, a nova intervenção reacende o debate sobre a condução das políticas de preservação histórica em Itapira pelo atual prefeito. Para críticos, a obra atual representa não apenas uma alteração física, mas uma ruptura com a memória coletiva da cidade.

Incoerência: Lei nº 6.291 criada pelo próprio Toninho Bellini protege bens históricos da cidade

O vereador Tiago Fontolan ficou surpreso com mais essa aberração contra a história de Itapira: “é muito triste ver a forma como a administração pública vem tratando a história e a memória da nossa cidade. O descaso com o patrimônio histórico chegou ao extremo. Causa estranheza o silêncio daqueles que sempre se colocaram como defensores dessa pauta. Onde estão agora, diante de uma intervenção que fere a história e a memória de Itapira?”

Complexo da Estação da Fepasa, onde fica o pontilhão, está incluso no decreto municipal

Até o momento, a Prefeitura não apresentou explicações detalhadas sobre os motivos da intervenção, nem informou se houve análise ou autorização por parte dos órgãos responsáveis pela preservação do patrimônio.

Diante do cenário, cresce a cobrança por transparência e por medidas que garantam o respeito à legislação vigente, evitando que um patrimônio histórico prestes a completar um século tenha sua essência comprometida por intervenções consideradas inadequadas.