Gazeta Itapirense

Festa de Maio terá novo parque e menos brinquedos este ano

A ausência do tradicional parque de diversões Unipark na Festa de Maio de Itapira em 2026 ganhou novos desdobramentos após a sessão da Câmara Municipal realizada nesta quinta-feira, 09. Durante a reunião, o vereador André Siqueira apresentou documentos que revelam tentativas formais da Prefeitura para viabilizar um novo espaço para a instalação dos brinquedos.

De acordo com os ofícios exibidos, dois pedidos foram encaminhados à Secretaria Estadual de Educação solicitando a liberação do campo da Escola Estadual Elvira Santos de Oliveira (ESO) como alternativa para montagem do parque. O primeiro foi entregue em janeiro pelo vice-prefeito, Mário da Fonseca durante agenda em São Paulo. Já o segundo foi protocolado em fevereiro pelo próprio prefeito Toninho Bellini. Ambos, no entanto, foram negados pelo Governo do Estado.

As negativas reforçam o cenário de improviso que já havia sido apontado anteriormente, mas também levantam novos questionamentos sobre a condução política do caso. Um dos principais pontos que surge é a ausência de articulação com lideranças estaduais que poderiam intermediar a demanda com maior objetividade. Entre eles, o deputado Barros Munhoz, conhecido por sua proximidade com o governo estadual e acesso direto ao governador e ao secretariado paulista.

Vice-prefeito Mário da Fonseca enviou ofício em fevereiro

A falta de acionamento desse tipo de interlocução levanta dúvidas sobre a estratégia adotada pela administração municipal. Por outro lado, também chama atenção o fato de que o próprio deputado, mesmo tendo conhecimento prévio das dificuldades envolvendo o espaço para montar os brinquedos da Festa de Maio, não tenha atuado de forma mais direta para contribuir com uma solução.

Desde o ano passado a Gazeta já questionava as autoridades – Toninho Bellini e Totonho Munhoz – sobre o futuro do parque de diversão com o funcionamento do importante Complexo da Saúde e do Centro de Hemodiálise.

Ofício nega o uso do campo do ESO para montagem do parque

No dia 24 de fevereiro de 2026 outra matéria da Gazeta levantou novamente o tema, destacando preocupação com o desfecho da história.

Qualquer criança de cinco anos sabe que não poderia mais ser usada a rua Vitório Coppos para montagem de brinquedos e barracas, mas nenhum dos dois líderes políticos se mexeu no tempo certo. Um fez manha e não pediu ajuda, o outro, sabe-se lá porque, não ofereceu ajuda a tempo. Agora é tarde demais, vamos ter que nos contentar com um parque bem aquém do que nossa Festa de Maio e nossa gente merecem.

O episódio evidencia mais um capítulo de uma rivalidade política cansativa e que, na prática, pouco contribui para resolver problemas concretos da cidade. Em meio a disputas e distanciamentos, a população acaba sendo a principal prejudicada, vendo uma tradição histórica perder força diante da falta de articulação e planejamento.

Toninho Bellini também chegou a pedir, mas recebeu um “não’ por telefone

Com a confirmação da ausência do Unipark, a Prefeitura optou por manter o parque de diversões no local tradicional onde ele sempre foi instalado. No entanto, a operação será realizada por outro grupo e em condições diferentes. A área disponível foi reduzida em aproximadamente 50%, o que deve impactar diretamente na quantidade de brinquedos e atrações oferecidas ao público, embora o número oficial ainda não tenha sido divulgado.

Outra mudança importante diz respeito à organização do espaço urbano. A rua que tradicionalmente era ocupada por brinquedos e barracas não poderá mais ser utilizada da mesma forma. Durante o dia, o trânsito será liberado normalmente, com interdições previstas apenas a partir das 18 horas.

A saída encontrada reforça o caráter emergencial das decisões tomadas às vésperas do evento. A redução de espaço, as mudanças logísticas e a substituição do parque tradicional indicam uma edição da Festa de Maio marcada por limitações que poderiam ter sido evitadas com maior planejamento e articulação política.

Criada em 1888, a Festa de Maio é um dos principais eventos do calendário de Itapira e do interior do estado de São Paulo e carrega forte valor cultural e afetivo para a população.

Diante disso, os desdobramentos deste ano expõem não apenas dificuldades pontuais, mas também a necessidade de uma condução mais estratégica e menos conflituosa entre os agentes públicos envolvidos.