Gazeta Itapirense

Ex-PSOL que assinou tese “anticapitalista” comandará o dinheiro da Prefeitura

A nomeação de Vinicius Pagani de Melo para comandar a Secretaria da Fazenda da Prefeitura de Itapira abriu uma forte discussão política na cidade e escancarou uma contradição que já começa a gerar desgaste para o governo Toninho Bellini (PSD).

Isso porque o novo responsável pelas finanças do município foi, nada mais nada menos, que o primeiro secretário de Finanças do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade.) da cidade de Jaguariúna, partido de esquerda.

A nomeação expôs um contraste político direto com o discurso adotado por Toninho Bellini durante a campanha para sua reeleição em 2024.

Na tentativa de conquistar o eleitorado conservador de Itapira — cidade historicamente inclinada à direita — Bellini adotou posicionamentos políticos alinhados ao campo conservador e chegou inclusive a trazer para eventos políticos o deputado Bruno Zambelli, do PL, partido do ex-presidente Bolsonaro.

Durante a campanha, aliados de Bellini reforçavam discursos de direita, conservadorismo, responsabilidade fiscal e combate à esquerda ideológica.

Agora, menos de dois anos após as eleições, o prefeito entrega justamente a Secretaria da Fazenda, para um nome ligado publicamente a correntes políticas de esquerda e movimentos anticapitalistas.

Nos bastidores políticos, a escolha já é vista por críticos como um sinal claro de que o discurso ideológico utilizado na campanha tinha apenas objetivo eleitoral para captar votos do eleitorado conservador itapirense.

Pagani fez campanha para Boulos, hoje ministro do governo Lula

Anticapitalista e revolucionário

O novo secretário de Toninho Bellini aparece como signatário de documentos públicos ligados a correntes ideológicas da esquerda radical brasileira, incluindo teses com discursos anticapitalistas e de “revolução brasileira”.

Os documentos circulam publicamente na internet em páginas ligadas a grupos internos do PSOL paulista. Entre os textos assinados por Vinicius Pagani aparecem títulos como:

  • “Por um partido anticapitalista e da revolução brasileira”
  • “Por um PSOL combativo e pela base”
  • “PSOL em Movimento”

A situação chama atenção principalmente pelo simbolismo do cargo que ele passa a ocupar. A Secretaria da Fazenda é justamente a pasta responsável pelo controle do dinheiro público, arrecadação de impostos, equilíbrio fiscal, planejamento econômico e relação financeira da Prefeitura com empresários, fornecedores e contribuintes.

Ou seja: um secretário associado a teses anticapitalistas agora será o homem responsável pela economia municipal.

Ele saiu no PSOL apenas em 2023 quando passou a fazer parte do governo do prefeito Gustavo Ramos (PSD)

Ele saiu do PSOL em 2023 quando passou a fazer parte do governo de Ricardo Ramos (PSD) em Rio Claro

Discurso de direita na campanha

A repercussão não ocorre apenas pelo posicionamento político do novo secretário, mas pelo impacto que isso pode representar na condução econômica da Prefeitura.

A Fazenda é considerada o coração financeiro do município. É ela quem participa diretamente da definição de impostos, arrecadação, gastos públicos, investimentos, contratos e prioridades econômicas da administração.

Por isso, a presença de um nome ligado a documentos que defendem pautas anticapitalistas acaba despertando preocupação entre os eleitores que acreditavam que o governo Bellini seguiria uma linha mais liberal ou conservadora na economia.

Prefeitura evita comentar o assunto

Nossa reportagem entrou em contato com o Departamento de Comunicação da Prefeitura para saber o posicionamento sobre o histórico de esquerda de Pagani, mas até o momento não obtivemos resposta alguma.