Gazeta Itapirense

Em plena área urbana, pescador faz a festa com lambaris do Ribeirão da Penha

Em meio ao avanço urbano e às mudanças no cenário ambiental da cidade, uma cena simples e cada vez mais rara chamou a atenção de quem passava por uma área residencial de Itapira. Aproveitando o período de chuvas intensas, um pescador voltou a lançar a linha em um trecho do Ribeirão da Penha, principal manancial do município, em um ponto onde poucos imaginariam encontrar peixes.

A presença do pescador se explica por um fenômeno comum em dias de chuva forte. Com o aumento do nível do Ribeirão da Penha, a água retorna por uma vazante e acaba represando um pequeno córrego que corta o Jardim Soares e deságua no ribeirão. Com isso, o volume de água aumenta e atrai grande quantidade de lambaris, criando uma oportunidade para a pesca.

Foi nesse cenário que a Gazeta encontrou Leonel Vicente, conhecido como Biro-Biro, pescando com uma simples vara de bambu e usando massa como isca, método tradicional que resiste ao tempo. A cena ocorreu na tarde desta terça-feira, 10, na rua Pedro Mandato, área urbana que faz divisa entre os bairros Nosso Teto, Jardim Soares e Flávio Zacchi.

Segundo Biro-Biro, a prática já faz parte de sua rotina sempre que o tempo ajuda. “Faz bem tempo que eu pesco aqui. Todo dia que chove bastante a gente vem pescar nesse lugarzinho”, contou. Ele explicou que a vazante do Ribeirão da Penha é determinante para a presença dos peixes. “Quando chove, ela enche aqui e a gente vem pescar.”

Biro-Biro segura um exemplar de lambari: “dá pra pegar uns 200 num dia” (Foto: Gilmar Carvalho/Gazeta)

O pescador afirma que o principal peixe encontrado no local é o lambari. “Aqui dá lambari, só lambari”, disse, enquanto mostrava um bornal já cheio de peixes. Questionado sobre o destino da pesca, respondeu de forma direta: “Ah, a gente come ele, mas as vezes faz de isca para outros peixes”.

Apesar da simplicidade da pescaria, a quantidade impressiona. “Se for pescar o dia inteiro, pega uns duzentos. Até mais”, afirmou

Sobre a qualidade da água, Biro-Biro demonstra conhecimento empírico do local. Segundo ele, a pesca só é recomendada após as chuvas. “Quando não chove, não pode pescar. A água fica suja, vem água lá de cima. Mas quando chove, enche e a água fica limpa, aí pode pescar tranquilo”, explicou.

A cena, considerada inusitada nos dias hoje, evidencia um contraste entre a urbanização crescente de Itapira e práticas tradicionais que ainda resistem no cotidiano da cidade.

Com o crescimento dos bairros e a ocupação das margens, tornou-se cada vez mais raro ver pescadores atuando no Ribeirão da Penha, especialmente em áreas residenciais.

Mesmo assim, em dias de chuva e com paciência, vara simples e isca caseira, a pesca ainda encontra espaço no coração da cidade.