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Gazeta Itapirense

Em 2 meses, Cristália anuncia pesquisas inovadoras contra alcoolismo, overdose e tabagismo

Em pouco mais de dois meses, o Laboratório Cristália apresentou três iniciativas de pesquisa voltadas a problemas de grande impacto na saúde pública: o alcoolismo, a overdose por medicamentos e drogas e a dependência de nicotina.

Os anúncios, realizados entre junho e agosto deste ano, colocaram novamente a pesquisa brasileira no centro de discussões nacionais e internacionais sobre novas alternativas para o tratamento das dependências químicas e de situações de emergência relacionadas ao uso de substâncias.

A sequência de anúncios chama atenção não apenas pela diversidade das pesquisas, mas também pelo investimento em áreas consideradas complexas pela medicina e pela indústria farmacêutica.

O primeiro movimento ocorreu em 9 de junho, com a inauguração do primeiro laboratório de genética aplicada de uma indústria farmacêutica brasileira. A nova estrutura, localizada em Campinas, faz parte da estratégia do Cristália de ampliar sua atuação em pesquisas baseadas em genética e biotecnologia.

 

Sempre um passo à frente: Cristália apresentou três importantes projetos para a saúde pública (Foto: Gazeta Itapirense)

Entre os projetos desenvolvidos no laboratório está uma pesquisa voltada ao tratamento do alcoolismo. O trabalho conta com a consultoria da professora Ana Lucia Brunialti Godard, titular da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em genética, modelos animais e estudos de doenças humanas, incluindo o alcoolismo.

A pesquisadora identificou um gene relacionado à regulação da dependência do álcool. A pesquisa desenvolvida a partir desse conhecimento busca avançar em uma possibilidade de tratamento direcionada a mecanismos genéticos associados à dependência.

A proposta representa uma mudança de perspectiva em relação aos tratamentos convencionais, ao buscar compreender e atuar sobre mecanismos biológicos relacionados à dependência, e não apenas sobre suas consequências.

De junho a agosto, três frentes de pesquisa

Em 30 de julho o Cristália voltou a ganhar atenção com a apresentação de uma tecnologia desenvolvida em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Batizada de “Lipossoma de Resgate”, a substância foi desenvolvida pelo Departamento de Nanotecnologia Farmacêutica da universidade, em uma equipe liderada pela professora doutora Eliana Martins Lima.

A proposta é inédita: utilizar a nanotecnologia não para transportar medicamentos para dentro do organismo, mas para capturar substâncias consideradas nocivas.

A tecnologia foi concebida para atuar em situações de overdose provocadas pelo uso abusivo de diferentes medicamentos e drogas ilícitas. A ideia é que as nanopartículas funcionem como uma espécie de “esponja”, capturando as substâncias presentes no organismo e contribuindo para sua remoção.

“Em vez de usá-las para enviar medicamentos ao organismo, decidimos usá-las para sugar substâncias nocivas ao organismo”, explicou a pesquisadora durante a apresentação do projeto.

O próximo passo será a realização dos estudos clínicos, mas isso depende da autorização da Anvisa.

Durante o evento de apresentação da tecnologia, realizado em Campinas, também foi firmado um acordo de cooperação com o Instituto Bairral de Psiquiatria, que participará dos testes clínicos.

A pesquisa chama atenção pelo potencial de aplicação em uma área na qual o tempo é determinante. Em casos de intoxicação e overdose, a intervenção rápida pode ser decisiva para evitar consequências graves.

Agora, uma vacina contra o tabagismo

A terceira novidade veio em 27 de agosto, quando o Cristália apresentou os resultados iniciais de uma pesquisa para o desenvolvimento de uma vacina antitabagismo.

O projeto é conduzido por cientistas do Centro de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação do próprio laboratório e está atualmente na chamada fase de Early Discovery, etapa inicial em que são selecionados os protótipos mais promissores e avaliados seus efeitos em modelos experimentais.

A proposta também rompe com a lógica tradicional dos tratamentos contra a dependência de nicotina.

Em vez de atuar principalmente sobre os sintomas provocados pela abstinência, a estratégia da vacina é estimular o sistema imunológico a reconhecer e capturar a nicotina ainda na corrente sanguínea.

Com isso, o objetivo é impedir ou reduzir a chegada da substância ao cérebro e, consequentemente, diminuir a sensação de prazer associada ao consumo do cigarro.

A lógica está diretamente relacionada ao mecanismo da dependência da nicotina. Após ser inalada, a substância chega rapidamente ao cérebro e interfere no sistema de recompensa, contribuindo para o desenvolvimento e a manutenção do vício.

Caso a estratégia consiga avançar nas etapas de pesquisa e desenvolvimento, a expectativa é criar uma alternativa completamente diferente das terapias atualmente utilizadas para combater a dependência do cigarro.

Uma sequência incomum de inovação

Os três anúncios, feitos em um intervalo de apenas 79 dias, mostram uma estratégia de pesquisa concentrada em problemas de grande impacto social.

De um lado, o Cristália investe na genética para buscar novas respostas para o alcoolismo. De outro, aposta na nanotecnologia para desenvolver uma ferramenta destinada a situações de overdose. Agora, utiliza a imunologia como caminho para tentar combater a dependência de nicotina.

São três tecnologias diferentes para três desafios distintos.

O ponto em comum é a atuação direta nos mecanismos que levam à dependência ou aos efeitos nocivos das substâncias, buscando soluções que possam ir além dos tratamentos convencionais.

A sequência também ganha relevância pelo fato de os projetos estarem sendo desenvolvidos por uma empresa farmacêutica brasileira, em colaboração com universidades e instituições de pesquisa nacionais.

Pesquisa brasileira com olhar para o mundo

Os três anúncios ganharam destaque no cenário nacional e também repercussão internacional justamente por tratarem de problemas que ultrapassam fronteiras.

A dependência do álcool, o tabagismo e as mortes provocadas por overdoses estão entre os grandes desafios contemporâneos da saúde pública. Encontrar novas formas de prevenção e tratamento é uma busca permanente de centros de pesquisa e empresas farmacêuticas em diferentes países.

Nesse cenário, o avanço de projetos desenvolvidos no Brasil representa também uma oportunidade para a ciência nacional ocupar espaço em áreas de pesquisa de alta complexidade.

Mais do que apresentar novos produtos, os projetos anunciados pelo Cristália mostram uma estratégia baseada em genética, nanotecnologia, biotecnologia e imunologia.

A velocidade com que as três frentes foram anunciadas evidencia a dimensão da atual estratégia de pesquisa do laboratório.

Em apenas 79 dias, o Cristália colocou em discussão três possíveis novas respostas para problemas que afetam milhões de pessoas e desafiam sistemas de saúde em todo o mundo.

Mais do que uma sequência de anúncios, trata-se de um retrato de como a pesquisa farmacêutica do Cristália busca avançar para áreas cada vez mais sofisticadas da ciência, transformando conhecimento produzido em universidades e centros de pesquisa em possibilidades concretas de novos tratamentos.