‘Elefante branco’: Concha Acústica segue sem ser usada e com vigia 24 horas por dia
A Concha Acústica “Paulino Santiago”, localizada na Encosta do Penhão, volta a ser alvo de críticas pelo pouco uso, mesmo após receber investimentos públicos significativos e a promessa de uma utilização com maior assiduidade. Pelo menos isto foi o que o prefeito Toninho Bellini disse em 2023 quando entregou uma reforma de mais de R$ 600 mil. Além de não ser usada, gasta-se dinheiro público com vigia 24 horas por dia.
Construído em 2012, durante a segunda gestão bellinista, o espaço nasceu com a proposta de se tornar um polo cultural da cidade, destinado à realização de shows, apresentações artísticas e eventos diversos. No entanto, desde a sua criação, o local nunca conseguiu cumprir plenamente essa função, permanecendo, na maior parte do tempo, sem atividades regulares.
A situação chama ainda mais atenção pelo fato de que, após retornar ao comando do município em 2021, o próprio Bellini decidiu investir novamente no espaço. A reforma e revitalização da Concha Acústica consumiram R$ 607.204,04, com recursos oriundos do Finisa (Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento), da Caixa Econômica Federal.

Na ocasião da reinauguração, em outubro de 2023, o prefeito destacou que o espaço estava “totalmente recuperado e pronto para receber grandes eventos”. A expectativa era de que a Concha se tornasse um importante ponto de difusão cultural no município.
Quase três anos depois, no entanto, o cenário encontrado é bem diferente do prometido.
A reportagem esteve no local nesta segunda-feira,13, e constatou sinais claros de abandono. O mato volta a tomar conta do entorno, as arquibancadas e a ‘concha’ já apresentam desgaste visível — o que exigirá nova pintura — e, em pleno período diurno, pelo menos seis lâmpadas permaneciam acesas, evidenciando o desperdício de energia elétrica.

Além disso, a utilização do espaço segue extremamente limitada. Desde a reinauguração, foram registrados apenas alguns shows no evento de entrega, duas ou três apresentações pontuais promovidas pela Casa das Artes em 2024 e um evento gospel ligado a um aliado da administração. Desde então, o local permanece sem programação regular.
A Concha leva o nome de Paulo Martins Santiago, o “Paulino”, artista itapirense que teve atuação marcante nas áreas de fotografia, teatro, escultura e pintura — uma homenagem que contrasta com a atual falta de uso de um espaço que deveria valorizar justamente a produção cultural.
O contraste entre o investimento público realizado e a baixa utilização reacende o debate sobre planejamento, gestão e prioridade na aplicação de recursos. Afinal, mais de R$ 600 mil foram empregados na revitalização de um equipamento que, na prática, segue sem cumprir sua função social de forma efetiva.

Além de tudo isso, dinheiro público do contribuinte itapirense é gasto mensalmente para o pagamento de vigias que ficam pelo local 24 horas por dia.
Procurada, a Prefeitura de Itapira, por meio do Departamento de Comunicação, informou que a “Secretaria de Cultura e Turismo está realizando visitas técnicas aos espaços públicos para avaliar documentações necessárias ao pleno funcionamento. Segundo a nota, após esse levantamento será elaborado um portfólio para viabilizar a realização de eventos e também para apresentar os espaços a agentes culturais”.
Ainda segundo a nota da Prefeitura “para ampliar a vigilância da Concha Acústica, a Secretaria Municipal de Defesa Social destinou vigia 24 horas para o local. Durante expediente comercial, um vigia atua de forma fixa no local. Fora desse horário, os vigias atuam em regime de escala. Uma das salas é utilizada quando há necessidade de elaboração de documentos administrativos e também para que os vigias que atuam no local possam deixar seus pertences pessoais durante o horário de trabalho”.
Enquanto isso, o que se vê é um equipamento público pronto, reformado recentemente e, ainda assim, praticamente vazio — um retrato que levanta questionamentos sobre a efetividade das ações e o destino do investimento realizado.





