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Gazeta Itapirense

“Ela era como uma filha”: despedida de Pingú marca o 1º enterro pet da história de Itapira

A tarde desta terça-feira, 07, entrou para a história de Itapira. Pouco depois das 14h30, o Cemitério da Saudade recebeu o primeiro sepultamento de um animal de estimação desde a promulgação da lei municipal, em abril deste ano, que passou a permitir o enterro de pets nos cemitérios da Saudade e da Paz.

A protagonista desse momento histórico foi Pingú, uma gatinha que viveu por 19 anos cercada de carinho e que, para sua família, sempre ocupou um lugar muito maior do que o de um simples animal de estimação: era uma integrante da casa, uma companheira inseparável.

A cerimônia foi acompanhada pela tutora, Francisca Avancini Colferai, seu marido Jair, a filha Simone e a neta Júlia. No semblante de cada um era possível perceber a dor da despedida. Entre as lágrimas, prevalecia também a certeza de uma vida compartilhada com muito amor, afeto e lembranças que permanecerão para sempre.

Ao lado da “mãe’, Pingú era só dengo; bolo de aniversário teve até foto dela

O pequeno caixão branco próprio para pets chegou carregado pelo senhor Jair e sua filha Simone, enquanto a jovem Júlia trazia em uma das mãos um vaso de flor para enfeitar a nova morada da gatinha. De fala calma, mas altiva, dona Francisca falava com carinho da companheira de muitos anos.

A bela gatinha trouxe alegria para toda a família ao longo dos anos: saudade

Pingú enfrentava uma doença renal crônica e, após exames realizados em uma clínica veterinária, também foi constatada a suspeita de um quadro de câncer que atingia o estômago, o fígado, o tórax e o intestino. Diante do agravamento de seu estado de saúde, a família precisou enfrentar o difícil momento da despedida. Sem ter força para lutar, a linda bolinha de pelo branco precisou ser sacrificada.

As fotografias enviadas pela neta Júlia à reportagem da Gazeta retratam exatamente o espaço que Pingú ocupava no coração da família. Em uma delas, aparece comemorando aniversário com direito a bolo, vela e até uma imagem estampada na decoração — registros que traduzem o cuidado, o carinho e a importância que ela teve durante quase duas décadas.

Família Colferai chega ao Cemitério da Saudade trazendo a companheira de quase duas décadas (Foto: Gilmar Carvalho/Gazeta)

Emocionada, dona Francisca contou que Pingú era como uma filha.

“Ela era que nem uma filha. Os filhos cresceram, casaram. Depois as netas também voaram. Ficamos só eu, o Jair e ela. Era minha companheira. Onde eu ia, ela ia atrás. Se eu descia para o quintal, ela ia também. Na hora de dormir, ela dormia no meu pé.”

Com um sorriso entre as lágrimas, ela relembrou também momentos que hoje se transformaram em lembranças afetuosas.

O último carinho: antes do sepultamento, o adeus em forma de afeto (Foto: Gilmar Carvalho/Gazeta)

“O Jair até mudou de quarto porque esticava o pé nela e ela mordia. Depois os dois ficaram amigos também.”

Questionada sobre a decisão de sepultar Pingú no túmulo da família, dona Francisca explicou que a escolha foi feita como forma de reconhecer tudo o que a gatinha representou durante sua vida.

“A gente tem uma chácara onde enterramos todos os animais que adotamos ao longo dos anos, mas lá está à venda. A Pingú chegou bem nenenzinha na nossa casa. Mas eu decidi enterrá-la aqui no túmulo da família porque ela é de casa. É querida como alguém da família mesmo”, afirmou, visivelmente emocionada.

Funcionário do cemitério conduz o pequeno caixão ao jazigo da família (Foto: Gilmar Carvalho/Gazeta)

Mais do que um ato simbólico, o sepultamento representa a concretização de uma mudança na legislação municipal que reconhece uma realidade cada vez mais presente nas famílias brasileiras: os animais de estimação são vistos, por muitos, como verdadeiros membros da família.

O primeiro enterro pet realizado em Itapira não ficará marcado apenas pelo aspecto histórico da nova legislação. Permanecerá na memória também como uma despedida carregada de amor, gratidão e respeito por uma companheira que, durante 19 anos, fez parte da rotina, das alegrias e da história da família Colferai.

Na tarde desta terça-feira, Pingú recebeu seu último gesto de carinho. E, para quem acompanhou a cerimônia, ficou evidente que alguns laços ultrapassam definições: são construídos pelo amor e permanecem vivos na saudade.

 

Nova realidade

Para o administrador dos cemitérios da Saudade e do Parque Municipal da Paz, Ed Márcio Damião dos Reis, o primeiro sepultamento pet representa uma nova realidade para Itapira. “Após a promulgação da lei, eu sabia que mais cedo ou mais tarde aconteceria um sepultamento, seja aqui no Cemitério da Saudade ou no Parque da Paz. Hoje, muitos cães e gatos são verdadeiros integrantes das famílias, e o vínculo de carinho construído ao longo dos anos é muito forte. A iniciativa é válida, sim. Nada mais justo do que permitir que um companheiro que trouxe tanta felicidade durante a vida possa descansar ao lado de sua família.”