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Gazeta Itapirense

É tempo de pitanga. E de pensar no que estamos plantando; por Nelson Theodoro

Em Mogi Mirim, é tempo de pitanga. Há muitos pés espalhados pela cidade, pelas ruas e pelos caminhos que percorremos nas caminhadas.

Quem caminha por esses lugares conhece a experiência: passamos de árvore em árvore, pegamos uma pitanga aqui, duas ali. Em alguns pés, pegamos até quatro. O motivo é simples: naquele pé, a fruta está mais doce.

Depois de comer, muitas vezes jogamos a semente por perto, com aquele pensamento despretensioso: quem sabe nasce outra árvore?

Nesta manhã de domingo, essa cena me fez pensar sobre o que estamos cultivando, tanto na cidade quanto na sociedade.

Eu mesmo não paro para identificar os pés com as frutas mais saborosas, separar suas sementes e cuidar do plantio. Sabemos reconhecer o que é bom na hora de consumir, mas nem sempre dedicamos a mesma atenção a cultivar aquilo que gostaríamos de encontrar mais vezes pelo caminho.

Uso essa imagem como metáfora para uma reflexão: quando olhamos para os problemas à nossa volta, é comum apontarmos os responsáveis. São os políticos, os professores, os empresários, os administradores. Mas onde entra a nossa responsabilidade?

Cada um tem sua parcela. E nós precisamos olhar para a nossa.

Assim como acontece durante a caminhada, muitas vezes reconhecemos uma boa qualidade, aproveitamos aquele momento e seguimos em frente. Não paramos para fortalecer o que encontramos de melhor. Não dedicamos tempo para cuidar, incentivar e ajudar a desenvolver.

Na direção das instituições, na administração pública, nas empresas e nos diferentes espaços da sociedade, encontramos quem conseguiu chegar e permanecer. Quem resistiu às dificuldades, conquistou espaço e venceu as disputas pelo caminho.

Mas conseguir chegar nem sempre significa ser o mais preparado. E, se queremos pessoas mais qualificadas nesses lugares, precisamos participar da sua formação.

É preciso identificar potencial, oferecer oportunidades, orientar, treinar e acompanhar. Precisamos valorizar quem faz um bom trabalho e criar condições para que mais pessoas também possam fazê-lo.

Uma sociedade melhor exige esse cuidado contínuo. Exige participação nas escolas, nas empresas, nas instituições, nos bairros e dentro das nossas próprias casas.

Por isso, antes de perguntar apenas o que os outros estão fazendo pelo Brasil, precisamos perguntar o que nós estamos fazendo.

Tenho ajudado alguém a aprender? Tenho reconhecido um trabalho bem-feito?

Tenho participado das decisões da minha comunidade? Tenho dedicado algum tempo para melhorar aquilo que está ao meu alcance?

Há muita coisa sendo dita, muita coisa sendo cobrada e muita opinião circulando. Mas o futuro também depende das atitudes que escolhemos todos os dias.

As pitangas estão pelo caminho. Podemos saboreá-las e continuar andando. Também podemos parar, observar e cuidar do que queremos cultivar.

É essa a pergunta que deixo nesta manhã de domingo: o que eu, pessoalmente, tenho feito para melhorar o nosso país?

Nelson Theodoro Junior, Presidente da Associação Comercial e Industrial de Mogi Mirim, Diretor da Fecomercio-SP, Diretor do Sincomércio de Mogi Mirim e Presidente do Conselho do Patrimônio de Mogi Mirim.