É melhor fazer crime digital do que roubar celular; por Nelson Theodoro
Esse é o título de uma matéria do Estadão, escrita por Milton Lima, que me chamou a atenção e com cuja reflexão concordo.
A cada dia, somos surpreendidos por novas tentativas de golpes digitais. São ligações informando sobre compras que nunca fizemos, mensagens dizendo que nossos pontos de programas de fidelidade estão vencendo, avisos de impostos atrasados ou até comunicados de que nosso currículo foi aprovado para uma vaga de emprego.
Tudo parece verdadeiro. Tudo é cuidadosamente preparado para despertar nossa atenção, criar uma sensação de urgência e nos levar a tomar decisões sem pensar.
E é justamente aí que mora o perigo.
Muitas vezes, estamos trabalhando, dirigindo, cuidando da família ou envolvidos em outras atividades. Uma mensagem chega, uma ligação interrompe nossa rotina e, naquele momento de distração ou preocupação, acabamos acreditando em uma mentira.
A inteligência artificial, que representa um avanço extraordinário para a sociedade, também vem sendo utilizada por criminosos para tornar essas fraudes cada vez mais convincentes. Infelizmente, como tantas outras conquistas da humanidade, aquilo que foi desenvolvido para fazer o bem também pode ser utilizado para o mal.
O crime mudou. E mudou muito!
Enquanto pequenos criminosos continuam roubando celulares nas ruas, organizações cada vez mais sofisticadas atuam no ambiente digital, movimentando estruturas complexas, explorando informações pessoais e procurando brechas nos sistemas de segurança.
E existe uma situação ainda mais revoltante: golpes envolvendo pacientes internados em hospitais.
Criminosos conseguem informações sobre pacientes e seus familiares e entram em contato solicitando dinheiro para medicamentos ou procedimentos especiais que, supostamente, não seriam cobertos pelos planos de saúde.
Imagine receber uma ligação dessas quando alguém que você ama está hospitalizado. A preocupação, o medo e a esperança de ajudar podem falar mais alto do que qualquer desconfiança. E é exatamente dessa fragilidade
humana que os golpistas se aproveitam.
O Brasil enfrenta um cenário preocupante de tentativas de fraudes digitais.
Precisamos discutir não apenas a atuação dos criminosos, mas também a eficiência das nossas leis, a responsabilização dos envolvidos, os investimentos em segurança e a proteção das informações que circulam por empresas e instituições.
Não podemos aceitar que a tecnologia avance mais rapidamente do que a nossa capacidade de proteger as pessoas.
Também precisamos cobrar mais transparência, informação e investimentos em prevenção. Empresas, instituições financeiras, operadoras de telefonia e órgãos públicos precisam assumir suas responsabilidades nessa luta.
Mas quero deixar aqui um alerta que considero fundamental.
Antes de pagar, transferir dinheiro, clicar em um link ou fornecer qualquer informação pessoal, pare, desconfie, consulte e confirme.
Se alguém disser que é do banco, procure o banco pelos canais oficiais. Se a mensagem envolver impostos, consulte diretamente os órgãos responsáveis.
Se a ligação vier de um hospital, entre em contato com a instituição antes de qualquer pagamento.
Não tenha vergonha de desconfiar. Não tenha pressa para responder.
Precisamos falar cada vez mais sobre esse assunto, especialmente com nossos pais, avós, familiares e com todas as pessoas que podem estar mais vulneráveis a essas armadilhas.
Porque, muitas vezes, o dinheiro levado por um criminoso representa anos de trabalho, economia e sacrifício de uma família. E nem sempre esse prejuízo será recuperado.
O crime digital não rouba apenas dinheiro. Rouba a tranquilidade, a confiança e, muitas vezes, os sonhos das pessoas.
Informação, prevenção e atenção continuam sendo algumas das nossas maiores defesas.
Compartilhe esse alerta. Uma simples conversa pode evitar que alguém próximo de você seja a próxima vítima.
Nelson Theodoro Junior, Presidente da Associação Comercial e Industrial de Mogi Mirim, Diretor da Fecomercio-SP, Diretor do Sincomércio de Mogi Mirim e Presidente do Conselho do Patrimônio de Mogi Mirim.





