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Gazeta Itapirense

Dos trilhos às plantações: trecho da antiga ‘linha do trem’ vira horta urbana

Uma área de aproximadamente 240 metros quadrados, localizada às margens da Avenida Benedito Bataglini, na Vila Boa Esperança, ganhou uma nova função nos últimos anos. Onde antes havia mato e um barranco sem utilização, o morador Donizete Ramos Borges criou, de forma espontânea, uma espécie de horta urbana que hoje reúne diferentes tipos de alimentos, árvores frutíferas e flores.

A iniciativa começou há cerca de três anos, quando Donizete decidiu cuidar do terreno próximo à sua residência. Morador da Vila Boa Esperança há aproximadamente 20 anos, ele conta que a presença constante de mato no local foi o principal motivo para começar a trabalhar na área.

“Porque tinha muito mato. Aí eu resolvi cuidar”, relatou.

Seo Donizete transformou barranco cheio de mato em um local produtivo e bonito (Foto: Gilmar Carvalho/Gazeta)

Com o passar do tempo, o espaço foi sendo transformado gradualmente. Conforme tinha mudas, sementes ou condições para plantar, Donizete ampliava o cultivo. O que começou como uma maneira de manter o terreno limpo acabou se tornando uma pequena produção diversificada em plena área urbana.

Para garantir o bom desenvolvimento das plantas, Donizete disse que, na época das águas (chuvas), a natureza faz o seu papel, mas na seca ele tem uma grande mangueira em sua casa que serve para a irrigação.

Atualmente, a horta conta com mandioca, batata, batata-doce, tomate, cebola, cebolinha, amendoim, caxi e abóbora, além de outras plantas. O local também abriga pés de manga, mamão, jabuticaba e goiaba, além de café, que ainda está em fase de crescimento.

Segundo Donizete, a expectativa é que os primeiros frutos do café possam ser colhidos dentro de aproximadamente um ano e meio. Quem passa pela avenida consegue enxergar o cafezal que tem 60 pés alinhados.

A produção não se limita aos alimentos. O espaço também reúne erva cidreira, arruda e alecrim.

Flores também fazem parte da paisagem e, de acordo com o responsável pelo cultivo, não é raro que moradores parem para pedir uma rosa para levar para casa.

Com isso, a área acabou adquirindo uma característica comunitária. O cultivo, que inicialmente surgiu de uma iniciativa individual, passou a fazer parte do cotidiano da vizinhança.

“Os vizinhos dão apoio. Eu acho que foi bom, porque fica limpinho agora, não tem mato mais e nem bichos mais”, contou Donizete, que antes convivia com aranhas, escorpiões, entre outros.

Além da mudança na aparência do espaço, o trabalho também contribuiu para reduzir a presença de animais que costumam aparecer em locais tomados pelo mato. O cuidado frequente com a área tornou o ambiente mais organizado e acessível, segundo o morador.

A horta está localizada em um trecho que carrega parte da história da transformação urbana de Itapira. A Avenida Benedito Bataglini e outras vias da região ocupam áreas que, décadas atrás, faziam parte do traçado da antiga linha férrea da FEPASA. Na época, os trens circulavam por dentro da área urbana do município. Com a desativação da ferrovia, os espaços foram gradualmente incorporados à malha viária e hoje desempenham papel importante na mobilidade da cidade.

É justamente em uma dessas áreas remanescentes, junto à avenida e em um trecho de barranco, que Donizete encontrou uma possibilidade de aproveitamento.

O resultado mostra como pequenos espaços urbanos, mesmo aqueles que parecem não ter utilidade, podem ganhar novas funções quando recebem cuidado e planejamento. A experiência também serve de exemplo para outros moradores que identificam terrenos, canteiros ou áreas sem utilização e desejam contribuir para melhorar o ambiente ao redor de suas casas.

No caso da Vila Boa Esperança, o espaço passou de uma área tomada pelo mato para um ponto de cultivo que produz alimentos, abriga árvores frutíferas e ainda promove uma aproximação entre quem vive na região.

Para Donizete, a continuidade do trabalho depende justamente desse envolvimento. Ele destaca que recebe apoio da vizinhança e também conta com o incentivo da esposa.

A pequena horta urbana, portanto, vai muito além de um local de plantio. É o resultado de uma iniciativa simples, mantida diariamente, que modificou a paisagem de uma área da Vila Boa Esperança e mostrou que o cuidado individual também pode produzir benefícios coletivos.