Dia Nacional do Fusca: carro guarda memórias afetivas de uma família itapirense
Símbolo de uma época e guardião de memórias afetivas que atravessam gerações, o Fusca segue ocupando um lugar especial no coração dos brasileiros. Celebrado em 20 de janeiro, o Dia Nacional do Fusca vai além da paixão por um automóvel: é uma data que resgata histórias de família, lembranças de infância e uma relação quase emocional entre pessoas e um carro que marcou a história do país.
Em Itapira, essa ligação ganha contornos ainda mais especiais na trajetória de Firmino Sanches, ex-vice-prefeito do município, que preserva com orgulho um Fusca azul de 1974, mantido na família há mais de meio século. O veículo, conhecido carinhosamente como “Fuscão azul”, foi comprado zero quilômetro pelo sogro de Firmino, José Scholz, na concessionária Miranda e Companhia, na década de 1970.
O tempo passou, a família cresceu, outros carros chegaram à garagem, mas o Fusca permaneceu. Quando o sogro decidiu adquirir um modelo mais novo, um Gol branco, o Fuscão acabou ficando com Firmino. Desde então, o carro nunca saiu da família e segue praticamente como saiu da fábrica. “Sempre foi original, continua original. É um carro que não dá nem um pingo de trabalho. É só ligar”, conta Firmino, com a tranquilidade de quem conhece cada detalhe do veículo.

Hoje, são 52 anos de história compartilhada entre o carro e a família. Mesmo rodando pouco, o cuidado é constante. Para evitar que fique parado por muito tempo, Firmino passou a utilizá-lo com mais frequência nos últimos anos.
Ainda assim, o Fusca recebe atenção especial, principalmente quando está guardado na garagem da casa da sogra. “Ele fica sempre cobertinho, tudo certinho. Ela cuida com o maior carinho”, relata.
Mais do que um meio de transporte, o Fusca se transformou em um verdadeiro patrimônio afetivo. “É o xodó da família. Não pode mexer em nada”, resume Firmino. A ideia de vendê-lo sequer passa pela cabeça. “Não tem preço. Vai ficar aí pro resto da vida, se Deus quiser”, afirma, com emoção.
Histórias como a de Firmino ajudam a explicar por que o Fusca atravessou décadas sem perder o encanto. Em um mundo de tecnologias cada vez mais rápidas e descartáveis, o velho besouro segue firme, lembrando que algumas coisas não são feitas apenas de metal e motor, mas de afeto, lembranças e identidade.
No Dia Nacional do Fusca, o azul de 1974 que circula pelas ruas de Itapira representa milhares de outras histórias espalhadas pelo Brasil, onde um carro simples se tornou parte da família e da própria memória coletiva do país.




