Descaso no momento da dor: sala de velório é desativada por causa de goteiras
O momento de despedida de um ente querido, que deveria ocorrer em um ambiente minimamente digno e reservado, tem sido marcado por improviso e transtornos no Velório da Saudade. Uma das salas destinadas à vigília de corpos precisou ser desativada após apresentar problemas estruturais que se arrastam há algum tempo, expondo famílias a uma situação considerada inadequada para um espaço de luto.
O Velório da Saudade conta com seis salas de vigília, utilizadas simultaneamente conforme a demanda. Uma delas, no entanto, vinha sofrendo com goteiras constantes, que comprometeram o teto e o piso do local. O forro apresenta sinais visíveis de sujeira e deterioração, enquanto o chão também foi danificado pela infiltração de água.
Ao invés de consertar o telhado e diante do agravamento do problema, para evitar ainda mais constrangimentos às famílias enlutadas, a Prefeitura de Itapira decidiu desativar a sala. Todos os móveis foram retirados do espaço, que ficou impossibilitado de uso. Como alternativa, a administração municipal passou a improvisar uma sala de velório em uma área que antes funcionava como hall de circulação.

A solução paliativa, no entanto, tem gerado críticas. O espaço improvisado não oferece o mesmo nível de privacidade que uma sala de vigília, elemento considerado fundamental para familiares e amigos que se reúnem em um dos momentos mais delicados da vida.
A situação expõe a demora na resolução de um problema estrutural conhecido e levanta questionamentos sobre a manutenção de um equipamento público essencial.

Frequentadores do velório relatam desconforto e indignação com a necessidade de improvisação justamente em um ambiente que deveria prezar pelo acolhimento e pelo respeito à dor alheia.
A existência de goteiras e danos estruturais em uma sala destinada a velórios é vista como um retrato do descaso com um serviço público sensível.
Procurada pela reportagem da Gazeta, a Prefeitura de Itapira, por meio do Departamento de Comunicação, foi questionada sobre os problemas na sala, os prazos para reparo e se há previsão de reforma no Velório da Saudade. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno.






