De todo poderoso a peça isolada: Sandro perde o controle da Guarda Municipal
A publicação do Decreto nº 059/2026, nesta sexta-feira, 15, pela Prefeitura de Itapira escancarou aquilo que já vinha sendo comentado nos bastidores políticos da cidade: o enfraquecimento cada vez maior do secretário municipal de Defesa Social, Sandro César Almeida, antigo homem forte e braço direito do prefeito Toninho Bellini.
A medida retirou oficialmente da Secretaria de Defesa Social o comando da Guarda Civil Municipal, que agora passa a responder diretamente ao gabinete do prefeito, sem qualquer intermediação de secretário ou pasta administrativa.
Na prática, o decreto representa muito mais do que uma simples reorganização administrativa. Nos bastidores, a mudança é vista como um duro golpe político em Sandro Almeida que, durante anos acumulou poder dentro da Prefeitura e chegou a ser considerado uma das figuras mais influentes da administração Bellini.
Sandro chegou a ocupar simultaneamente a Secretaria de Governo e a Secretaria de Defesa Social — estrutura que engloba Guarda Municipal, Defesa Civil e Departamento de Trânsito. Internamente, havia quem afirmasse que o secretário tinha mais influência política e administrativa que o próprio prefeito em diversos setores estratégicos do governo.
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Mas o cenário começou a mudar drasticamente após o escândalo envolvendo a compra de kits de higiene bucal com suspeitas de superfaturamento, episódio que provocou desgaste político dentro da administração e abalou a relação de confiança entre prefeito e secretário. Sandro Almeida, ou “Sandrinho” como Toninho costumava dizer, foi jogado na fogueira.
Desde então, Sandro passou a perder espaço gradativamente dentro do governo. Primeiro, perdeu a poderosa Secretaria de Governo. Agora, sofre um novo e ainda mais simbólico esvaziamento político: a retirada do controle da Guarda Municipal, considerada uma das estruturas mais estratégicas da administração.
O decreto publicado no Jornal Oficial praticamente isola o comando da Guarda Civil Municipal da Secretaria de Defesa Social. O texto deixa claro que a corporação passa a ter “subordinação hierárquica, funcional, administrativa e operacional direta e imediata ao prefeito municipal”, eliminando qualquer intermediação administrativa.
A nova redação também reforça que fica “terminantemente vedado” qualquer vínculo de subordinação da Guarda a secretários municipais, consolidando a desvinculação completa da pasta comandada por Sandro César Almeida.

Nos corredores políticos, a leitura é clara: o antigo supersecretário foi colocado no chamado “limbo administrativo” da gestão Bellini.
Enquanto Sandro perde espaço, quem emerge fortalecida é a comandante da Guarda Municipal, Patricia Zacariotto. Reconhecida internamente pelo trabalho técnico e pela condução considerada eficiente da corporação, Patrícia agora passa a despachar diretamente com o prefeito, sem necessidade de passar por qualquer secretário.
A mudança é interpretada como um gesto de prestígio à comandante e, ao mesmo tempo, um sinal evidente de desconfiança política em relação ao antigo aliado do prefeito.
O episódio evidencia um racha cada vez mais visível dentro da administração municipal. O homem que já concentrou poder, influência e protagonismo político dentro do governo Bellini agora assiste à própria estrutura ser desmontada peça por peça.
Nos bastidores da Prefeitura, o clima é de leitura inequívoca: Sandro César Almeida já não ocupa mais o posto de homem forte do governo. E o decreto publicado nesta semana apenas oficializou aquilo que a política local já comentava há meses — a queda de um dos personagens mais poderosos da administração Toninho Bellini.
Mas uma dúvida ainda paira no ar: que carta na manga Sandrinho tem que ainda não foi exonerado de uma vez por todas?
Isso, somente as paredes do Paço Municipal sabem.






