Gazeta Itapirense

Contrária ao aumento da Zona Azul, ACEI tenta desde segunda reunião com Bellini

O reajuste nas tarifas da Zona Azul em Itapira passou a gerar forte reação negativa entre comerciantes e usuários do sistema de estacionamento rotativo na área central da cidade. A medida, oficializada por decreto assinado pelo prefeito Toninho Bellini, foi publicada no Jornal Oficial do Município e entra em vigor a partir de 1º de fevereiro, com aumento médio de cerca de 40% nos valores atualmente praticados.

Com a publicação do novo decreto, as tarifas passam a ser de R$ 1,50 para 30 minutos, R$ 2,80 para 60 minutos e R$ 5,60 para 120 minutos, mantendo o tempo máximo de permanência de até duas horas por vaga. A opção de 90 minutos foi suprimida. As formas de pagamento e a empresa responsável pela operação do sistema, a Zona Azul Brasil, permanecem as mesmas.

Até então, o usuário pagava R$ 2,00 por uma hora de estacionamento, com valores fracionados de R$ 1,00 a cada 30 minutos. Com o reajuste, o custo para quem permanece por duas horas em uma vaga sobe de R$ 4,00 para R$ 5,60, o que representa um aumento significativo em um único reajuste.

A decisão provocou repercussão imediata no comércio local e na população. A reportagem da Gazeta ouviu a Associação Comercial e Empresarial de Itapira (ACEI), que afirma não ter sido consultada previamente sobre a medida. Segundo o presidente da entidade, Carlos Moysés, a principal crítica não é a existência da Zona Azul, mas a forma como o reajuste foi aplicado.

Moysés e Pedroso tentam, em vão, marcar reunião com Toninho Bellini (Foto: Gilmar Carvalho/Gazeta)

De acordo com Moysés, a ACEI tenta, desde o início da semana, agendar uma reunião com o prefeito para discutir o percentual adotado. “Nós estamos desde segunda-feira tentando marcar uma conversa com o prefeito para discutir esse reajuste. Achamos que foi um percentual muito alto e que poderia ter sido tratado de outra forma”, afirmou.

O presidente da ACEI também destacou que, além do aumento, o sistema de estacionamento rotativo apresenta falhas estruturais que precisam ser corrigidas. “A Zona Azul está precisando de uma reestruturação. Falta gente na rua trabalhando e muitos totens que existiam nas esquinas foram retirados ou não estão funcionando corretamente”, disse.

Segundo ele, essa situação acaba penalizando o consumidor. “A pessoa estaciona, entra para fazer a compra e, quando volta, encontra o aviso no carro porque não conseguiu pagar. Depois precisa correr atrás da Zona Azul para regularizar a situação, senão acaba multada”, relatou.

Moysés reforçou que a entidade não é contra o sistema de estacionamento rotativo, mas defende diálogo antes de decisões consideradas drásticas. “Não somos contra a Zona Azul. O que defendemos é que mudanças desse tamanho sejam discutidas. Precisamos sentar com a prefeitura, com a empresa responsável e com o comércio para encontrar um valor mais equilibrado. O cliente precisa ter a possibilidade de estacionar, entrar na loja, resolver o que precisa e sair. Sem a rotatividade, as vagas acabam ocupadas o dia todo e o comércio perde movimento. Por isso, mais uma vez colocamos a ACEI à disposição dos lojistas para o diálogo, porque entendemos que o fim da Zona Azul não é uma solução viável”, completou.

Na mesma linha, o gerente da ACEI, Rafael Pedroso, avaliou que o impacto negativo decorre do fato de o reajuste ter sido aplicado de uma só vez, após um longo período sem correções. “Como ficou muito tempo sem reajuste, o índice acabou sendo acumulado e aplicado de uma única vez. Isso gera um impacto grande e imediato para quem utiliza o serviço”, explicou.

Rafael afirmou que a entidade tem recebido diversas reclamações desde a publicação do decreto. “A gente tem ouvido muitos relatos de comerciantes e consumidores insatisfeitos com os valores. Inclusive, há pessoas se mobilizando para um abaixo-assinado pedindo o fim da Zona Azul”, disse.

Ele ressaltou, no entanto, que o sistema foi implantado a pedido do próprio comércio e dos consumidores. “A Zona Azul surgiu para organizar a rotatividade de vagas no Centro. O problema não é a existência do sistema, mas o valor cobrado e a qualidade do serviço prestado”, pontuou.

Para o gerente da ACEI, o momento exige diálogo e ajustes. “A associação está tentando abrir tratativas com o município e com a empresa para amenizar esse impacto e garantir um serviço adequado, com agentes nas ruas e equipamentos funcionando”, concluiu.

É sempre válido lembrar que a nova empresa opera desde 2018, época do então prefeito Paganini. Conversamos com ele sobre esse valor cobrado agora de uma vez só: “olha mestre, o contrato fala em reajuste seguindo a inflação. Pois bem, em 2019 nós e a empresa acabamos achando que o preço estava justo, que não precisaria subir naquele momento. Em 2020 veio a pandemia e não tinha gente nas ruas, então pra que subir? Não teve mesmo”, lembrou.

Ausente desde 2021, o reajuste das tarifas não foi aplicado ao longo de duas gestões do prefeito Toninho Bellini e acabou sendo concentrado agora, com aumento aplicado de uma única vez.