Cidades dos Mortos: cemitérios já somam mais de 66 mil sepultamentos
O crescimento populacional e o passar dos anos também se refletem nos cemitérios municipais, que acumulam décadas de história e milhares de sepultamentos. Em Itapira, os dois cemitérios da cidade concentram um número expressivo de enterros, exigindo planejamento contínuo para garantir a disponibilidade de espaço e a manutenção adequada das áreas.
De acordo com dados oficiais da administração municipal, o Cemitério da Saudade contabiliza 56.133 sepultamentos ao longo de sua história. Desse total, 30.914 são de adultos e 25.219 de crianças, números que evidenciam o volume de enterros registrados na unidade ao longo dos anos.
Questionamos Ed Márcio Damião, diretor de Cemitérios, sobre o grande número de crianças sepultadas no da Saudade: “o Cemitério da Saudade foi fundado em 1890. Até o ano de 1906, o local era destinado exclusivamente ao sepultamento de crianças. Naquele período, os adultos eram enterrados em cidades vizinhas, como Jacutinga, Ouro Fino e Mogi Mirim, já que o município ainda não possuía um cemitério para esse fim. Teve um surto de meningite que atingiu a cidade, provocando a morte de seis a sete crianças por dia. Diante da gravidade da situação, a Igreja Presbiteriana doou um terreno localizado na região do alto da Santa Cruz para a construção do cemitério, permitindo que as crianças passassem a ser sepultadas em Itapira e evitando o transporte constante dos corpos para outros municípios”.

A partir de 1906, o espaço passou a receber também sepultamentos de adultos. Com base nos registros históricos, estima-se que, para cada sepultamento de adulto, havia uma média de três a quatro sepultamentos de crianças naquele período.
Já o Cemitério da Paz registra 10.284 sepultamentos, sendo 9.354 de adultos e 930 de crianças, conforme os registros disponíveis. Os dados representam a média histórica de enterros realizados no local desde sua implantação.
Diante dos números, a reportagem questionou a administração sobre a existência de áreas disponíveis para novos sepultamentos. Segundo Ed Márcio, não há possibilidade de ampliação das áreas atuais: “espaço novo não existe, mas a cada quatro anos é realizado o processo de exumação, o que permite liberar gavetas para novos sepultamentos”, explicou.
Ainda de acordo com o diretor, após a exumação os ossos são ensacados e depositados no mesmo túmulo, ao lado do caixão recém-sepultado, ou então encaminhados para ossários próprios. “Esse procedimento é o que garante a continuidade dos serviços, mesmo sem áreas disponíveis para expansão”, acrescentou.
O sistema adotado segue as normas sanitárias vigentes e permite manter o funcionamento regular dos cemitérios, assegurando atendimento à demanda da população.



