Gazeta Itapirense

Cia Arte das Águas estreia ‘Migalhas e Misérias em Mi Menor’ na Praça Riachuelo

A Cia Arte das Águas, sediada na Estância Turística de Ibirá (SP), estreia o espetáculo de rua Migalhas e Misérias em Mi Menor: Um Musical Mentiroso, em que mergulha no universo da dupla Tião Carreiro e Pardinho e da música sertaneja raiz para confrontar passado e presente em uma farsa poética sobre sobrevivência. A produção, definida como um “musical mentiroso cheio de verdades”, faz sessão gratuita aqui em Itapira no dia 28 de maio, quinta-feira, às 19h30, na Praça Riachuelo, com acessibilidade em Libras.

A apresentação conta com o apoio e a parceria da Cia. Talagadá e do Espaço Garagem – Arte e Cultura. Após a sessão, haverá bate-papo entre artistas e público sobre o processo de criação.

As ações fazem parte do Projeto Tião Carreiro e Pardinho, os Musicais, realizado por meio do Edital Fomento CultSP PNAB nº 22/2024 – Produção e Temporada de Espetáculo de Teatro Inédito, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo e do Ministério da Cultura, do Governo Federal. Ao todo, 10 cidades paulistas recebem ações do projeto até 6 de junho.

A partir de uma narrativa que equilibra a acidez da farsa e a sensibilidade da palhaçaria, Migalhas e Misérias em Mi Menor apresenta cinco palhaços à margem da sorte, entre modas de viola e a espera por um patrocínio fantasma, enquanto tentam erguer um espetáculo inspirado no repertório da dupla Tião Carreiro e Pardinho.

Com texto e músicas originais de Antonio Bucca, a música sertaneja raiz interpretada ao vivo surge como fio condutor. A proposta é denunciar dinâmicas do patriarcado como machismo e violência contra a mulher, naturalizadas em letras enraizadas na memória coletiva e, por vezes, ignoradas pelo saudosismo. Em cena, “a viola que encanta” é revelada também como “a viola que silencia”.

A direção é de Fabiano Amigucci (Cênica, São José do Rio Preto), antigo parceiro artístico da Arte das Águas responsável por montagens como Mazzaropi, um certo sonhador e A Vaca Lelé. O encenador retorna após hiato de 10 anos como elo entre a experiência acumulada e o desejo de reinvenção atual da companhia, cujo olhar volta-se a questões do presente. Compõem o elenco Antonio Bucca, Duda Silva, Laisa Anselmi, Rian Gimenes, Victor Castioni e os músicos Diego Guirado (violão) e Márcia Morelli (viola e percussão).

Sob direção musical de Dagoberto Feliz (fundador do grupo teatral Folias, São Paulo), a união de clássicos caipiras à trilha inédita reafirma a sonoridade autoral e a dramaturgia musical que são marcas da Cia Arte das Águas. A preparação vocal e arranjos são de Ana Paula Mendonça e as melodias, de Ricardo Moisés. Bete Dorgam assina o treinamento de palhaçaria e a preparação corporal é de Linaldo Telles. Já Léo Bauab, responsável pelo cenário, e Isaac Ruy, pelo figurino, traduzem nas visualidades a estética da escassez e do improviso das praças.

“Em Migalhas e Misérias em Mi Menor: Um Musical Mentiroso, o público é convidado a participar de uma experiência que desconstrói o ‘Brasil Raiz’ para revelar o que pulsa por trás da cortina: as políticas públicas culturais, a fome de arte, a coragem de dizer a verdade e a reinvenção necessária das nossas origens”, reflete Bucca. “Uma obra vibrante, musicalmente rica e profundamente conectada com as feridas e as belezas do Brasil de hoje”, acrescenta.

 

Vivência

Também no dia 28, em Itapira, a Cia Arte das Águas oferece a vivência gratuita “Música caipira: a tradição sertaneja”. Trata-se de uma imersão nas tradições musicais presentes em obras do repertório do grupo. A partir de uma memória caipira, a proposta é traçar um caminho afetivo e questionador sobre passado e futuro. A atividade acontece às 13h, no Espaço Garagem, voltada a todos os públicos interessados, com 30 vagas e 90 minutos de duração.