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Gazeta Itapirense

Cemitério da Saudade: 35 túmulos são violados e mais de 300 quilos de peças levados

Uma invasão deixou um rastro de destruição e revolta no Cemitério da Saudade. Pelo menos 35 túmulos foram violados durante a ação, que começou por volta das 22h30 de quinta-feira (13) e avançou pela madrugada de sexta-feira (14). Entre os objetos levados estão imagens de santos, medalhões, placas e até portões de sepulturas.

O levantamento inicial aponta que mais de 100 peças foram furtadas, com uma estimativa de mais de 300 quilos de materiais retirados do cemitério. A maior parte dos objetos seria de bronze, material que possui valor comercial e que, segundo a administração, teria sido o principal alvo dos criminosos.

A dimensão da ocorrência chamou a atenção pela quantidade de sepulturas atingidas. Os responsáveis teriam permanecido dentro do cemitério por cerca de uma hora ou mais, percorrendo diferentes áreas e retirando peças de vários túmulos.

Entre os locais atingidos está o túmulo do capitão Bellini, tio do prefeito Toninho Bellini e personagem histórico do futebol brasileiro que ficou conhecido por ter erguido a taça após a conquista do primeiro título mundial do Brasil, na Copa do Mundo de 1958. O portão da sepultura também foi levado durante a invasão.

Além dos portões, foram retiradas placas e tampas de túmulos, imagens religiosas e outras peças instaladas em homenagem a pessoas sepultadas no local. Para as famílias, o prejuízo vai muito além do valor financeiro: muitos dos objetos furtados carregam significado afetivo e fazem parte da memória dos mortos e de seus familiares.

A reportagem da Gazeta entrou em contato com Ed Márcio Damião dos Reis, que é o diretor dos cemitérios da Saudade e da Paz para saber a posição sobre o crime: “já enviei pedido para a instalação de câmeras e a contratação de um vigia, mas até o momento ainda não tive esse pedido atendido. O pior é que as famílias vêm cobrar de mim, como se eu fosse o culpado pelos furtos”.

A ocorrência foi registrada pelas autoridades, e a orientação é para que cada família que teve o túmulo violado também procure a Polícia Civil para registrar individualmente o caso. A medida é considerada importante para que todos os danos e objetos furtados sejam formalmente relacionados à investigação.

A administração do cemitério também adotou medidas emergenciais após a invasão. Integrantes da Guarda Municipal estão realizando rondas periódicas, com verificações de hora em hora dentro do cemitério.

Diante do ocorrido, a administração dos cemitérios também passou a orientar as famílias a evitar a instalação de novas placas e outros objetos de bronze nos túmulos. A recomendação é pela utilização de materiais que não tenham o mesmo valor de revenda, como porcelana ou inox, numa tentativa de reduzir o interesse de criminosos.

A invasão provocou forte impacto entre familiares que foram ao cemitério e encontraram sepulturas danificadas, portões arrancados e objetos que faziam parte da história de seus entes queridos desaparecidos.

O caso agora deverá ser investigado para identificar os responsáveis pela invasão, descobrir como o grupo conseguiu entrar e sair do cemitério com uma quantidade tão grande de materiais e verificar o possível destino das peças furtadas.

Enquanto a investigação avança, a administração reforçou a vigilância no local e busca alternativas para ampliar a segurança. O objetivo é evitar que uma ação semelhante volte a acontecer e proteger as sepulturas de novos ataques.

Nem o túmulo do capitão Bellini escapou da ação dos criminosos (Gazeta Itapirense)