Pular para o conteúdo principal

Gazeta Itapirense

Cachê de Sâmi Rico em Itapira é até 43% maior que o pago por outras prefeituras

A contratação do cantor sertanejo Sâmi Rico pela Prefeitura de Itapira, por R$ 100 mil, para as festividades dos 206 anos do município levanta questionamentos sobre os critérios utilizados para definir o valor pago com dinheiro público.

Comparações com contratos firmados por outras prefeituras mostram que o mesmo artista foi contratado por valores menores em cidades localizadas a distâncias muito maiores da sede de sua empresa de representação artística.

De acordo com a publicação oficial do termo de inexigibilidade de licitação, a administração municipal, por meio da Secretaria de Cultura e Turismo, contratou a empresa Rico Music Produção Artística Ltda. pelo valor de R$ 100 mil para a apresentação do cantor.

O ponto que chama a atenção é a diferença entre os valores registrados em outros municípios. A sede da empresa do artista fica em Americana, no interior paulista, a aproximadamente 80 quilômetros de Itapira. Ainda assim, prefeituras de cidades mais distantes encontraram valores inferiores para contratar a mesma atração.

Em Caçapava, no Vale do Paraíba, a cerca de 210 quilômetros de Americana, a contratação de Sâmi Rico para o Festival de São João foi homologada por R$ 78 mil. O valor representa R$ 22 mil a menos do que o pago por Itapira.

Já em Elói Mendes, no Sul de Minas Gerais, situada a aproximadamente 331 quilômetros da sede da empresa, o cachê para a apresentação do artista no aniversário do município foi fixado em R$ 80 mil. A diferença em relação ao contrato itapirense é de R$ 20 mil.

O contraste maior aparece em Arenópolis, no Mato Grosso. Mesmo localizada a cerca de 1.674 quilômetros de Americana, a cidade contratou o cantor para o Réveillon Cultural deste ano por R$ 70 mil, ou seja, R$ 30 mil abaixo do valor previsto no contrato firmado pela Prefeitura de Itapira.

Os números chamam a atenção porque Itapira é a cidade mais próxima da sede da empresa entre os municípios citados. Em princípio, uma distância menor pode representar despesas de deslocamento e logística mais baixas.

A comparação, porém, levanta uma pergunta que merece esclarecimento: por que Toninho Bellini vai pagar R$ 100 mil pela apresentação de Sâmi Rico, enquanto outras prefeituras contrataram o mesmo artista por R$ 78 mil, R$ 80 mil e R$ 70 mil?

A diferença de até R$ 30 mil justifica o questionamento sobre os critérios utilizados pela administração municipal local para definir o valor da contratação e sobre a existência de justificativas documentais para o preço acertado.

Quando se trata de recursos públicos, cabe à Prefeitura apresentar informações claras sobre a formação do preço, os custos envolvidos e a compatibilidade do cachê com os valores praticados no mercado para apresentações semelhantes.