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Gazeta Itapirense

Barbaridade: Prefeitura constrói ‘pinguela’ de madeira em área de APP em pleno 2026

A construção de uma passarela de madeira para pedestres, conhecida popularmente como “pinguela”, está provocando questionamentos dentro e fora da Prefeitura. A estrutura está sendo instalada sobre um córrego que divide os bairros Jardim Soares e Vila Boa Esperança, ligando as avenidas Liberdade e Henriqueta Soares.

Na tarde desta quarta-feira, 22, equipes da Secretaria de Serviços Públicos concluíram a base da passarela. A previsão é que a obra seja finalizada nesta quinta-feira, 23.

O caso, porém, vai muito além da simples construção de uma travessia. A reportagem da Gazeta apurou, junto a pessoas ligadas à administração municipal, que a madeira utilizada na obra teria sido doada por um empresário da região, enquanto a execução dos serviços ficou a cargo da Secretaria de Serviços Públicos.

O que mais chama a atenção é a falta de informações oficiais sobre a realização da obra. Segundo relatos obtidos pela reportagem, diversos setores da própria administração desconheciam a construção da passarela. Ainda conforme as informações apuradas, nem mesmo o prefeito Toninho Bellini teria sido oficialmente informado sobre a execução do serviço, o que mostra que a Prefeitura está uma verdadeira ‘casa da mãe’ Joana’.

A Gazeta também apurou que o pedido para a construção da passarela teria partido, supostamente, do vereador Mino Nicolai, irmão do prefeito, após solicitação do empresário que teria doado a madeira.

Outro ponto considerado grave diz respeito ao local escolhido para a obra. A passarela está sendo construída em uma Área de Preservação Permanente (APP), espaço protegido pela legislação ambiental. Conforme apurado pela reportagem, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente não teria sido oficialmente comunicada sobre a intervenção, procedimento que normalmente integra obras executadas em áreas ambientalmente protegidas.

Especialistas na área de infraestrutura urbana também apontam outro aspecto que causa estranheza. Há décadas o município deixou de construir passarelas de madeira em áreas urbanas. Esse tipo de estrutura foi substituído por pontes metálicas, consideradas mais resistentes, seguras e duráveis. Atualmente, pontes de madeira são encontradas, em sua maioria, apenas em áreas rurais.

A opção pela madeira levanta dúvidas sobre a durabilidade da obra. O córrego que passa pelo local registra aumento significativo do volume de água durante períodos de chuva intensa, chegando ao transbordamento em algumas ocasiões. Há o receio de que a estrutura possa sofrer danos ou até ser levada pela força da correnteza, exigindo novos gastos públicos em curto espaço de tempo.

Outro questionamento envolve a necessidade da construção. A poucos metros da nova passarela existe uma rotatória que permite o acesso entre os dois lados da via. Além disso, praticamente ao lado da futura pinguela há uma ponte de concreto, ampla e segura, utilizada por veículos e pedestres. A estrutura foi construída durante a administração do então prefeito Paganini e já atende a travessia da população.

Moradores também demonstram preocupação com o uso que poderá ser feito da nova passagem. A expectativa é de que motociclistas passem a utilizar a passarela como atalho para acessar bairros como Nosso Teto, Flávio Zacchi, Penhão e outras regiões da cidade, reduzindo o trajeto atualmente feito pela ponte de concreto.

Caso isso ocorra, há o risco de aumento de acidentes, já que a saída da passarela desemboca na Avenida Liberdade, onde o acesso poderá ocorrer de forma repentina, surpreendendo motoristas que trafegam pela via.

Diante das circunstâncias, a obra levanta uma série de questionamentos de interesse público. Por que uma passarela de madeira foi escolhida para uma área urbana em 2026, quando esse tipo de estrutura há décadas deixou de ser adotado pelo próprio município? Houve autorização ambiental para intervenção em Área de Preservação Permanente? Quem autorizou a execução da obra se o prefeito nem sabia? Existe projeto técnico, estudo de impacto e responsabilidade formal pela construção?

 

Outro lado

A reportagem procurou o Departamento de Comunicação da Prefeitura para esclarecer sobre a enigmática obra, mas até a publicação desta matéria não tivemos resposta.