Após onda de furtos, cemitérios da Saudade e da Paz agora têm vigias
A Prefeitura de Itapira decidiu reforçar a segurança dos dois cemitérios municipais somente depois que uma sequência de furtos provocou prejuízos, destruição e revolta entre famílias que mantêm seus entes queridos sepultados nos locais.
A nova medida prevê a presença de vigias durante o período noturno nos cemitérios da Paz e da Saudade, além da intensificação das rondas realizadas pela Guarda Municipal. A decisão, embora necessária, expõe uma característica que tem marcado a administração do prefeito Toninho Bellini: medidas que aparecem depois que o problema já aconteceu.
O primeiro episódio ocorreu no Cemitério da Paz. Depois que criminosos invadiram o local e furtaram peças de túmulos, a Prefeitura adotou a primeira providência, colocando um vigia noturno para tentar impedir novas ações.
A situação, porém, voltou a se repetir no Cemitério da Saudade, o mais antigo de Itapira.

Em agosto, uma nova invasão deixou um cenário de destruição. Pelo menos 35 túmulos foram violados e mais de 100 peças foram levadas, com uma estimativa superior a 300 quilos de materiais furtados. Entre os objetos estavam imagens religiosas, medalhões, placas, tampas e portões de sepulturas, muitos deles confeccionados em bronze.
O tamanho da ação impressiona. Os criminosos permaneceram dentro do cemitério durante um período considerável, percorrendo diferentes áreas e retirando peças de diversas sepulturas. O alvo principal, aparentemente, era o valor comercial do bronze, mas para as famílias atingidas a perda não pode ser medida apenas em dinheiro.
São placas, imagens e objetos colocados nos túmulos como forma de homenagem e lembrança de pessoas que já morreram.
Entre as sepulturas atingidas estava a do capitão Bellini, personagem histórico do futebol brasileiro, cujo túmulo também teve o portão furtado.
Antes do novo reforço, a própria administração dos cemitérios já havia alertado para a necessidade de medidas mais efetivas. O diretor dos cemitérios da Saudade e da Paz, Ed Márcio Damião dos Reis, afirmou à Gazeta que havia solicitado a instalação de câmeras e a contratação de um vigia, mas que o pedido ainda não havia sido atendido.
Foi preciso que dezenas de túmulos fossem destruídos e que mais de 300 quilos de peças fossem retirados do Cemitério da Saudade para que uma resposta mais efetiva aparecesse.
Agora, os dois cemitérios contam com vigilância noturna e também recebem rondas periódicas da Guarda Municipal. A expectativa é que a presença constante de agentes dificulte novas invasões e preserve as sepulturas.
A pergunta que fica, entretanto, é por que a prevenção não veio antes.
O Cemitério da Paz já havia sido alvo de criminosos. O risco estava evidente. Havia um pedido para contratação de vigia e instalação de câmeras. Ainda assim, a resposta definitiva só ganhou força depois que o problema atravessou os muros do segundo cemitério e atingiu dezenas de famílias.
A sensação que fica é a de uma administração que frequentemente reage aos problemas depois que eles acontecem, em vez de trabalhar antecipadamente para evitá-los.
No caso dos cemitérios, o preço dessa demora foi pago por famílias que encontraram túmulos violados, objetos desaparecidos e homenagens destruídas.
A instalação dos vigias e o reforço das rondas são medidas importantes e necessárias. Mas também deixam uma pergunta inevitável para a administração Toninho Bellini: quantos problemas ainda precisarão acontecer em Itapira para que a Prefeitura passe a agir antes, e não depois?
Enquanto a investigação dos furtos prossegue, as famílias esperam que o reforço seja permanente e que os cemitérios deixem de ser considerados alvos fáceis para criminosos.





