Após atraso vergonhoso e dívida com escola, cursinho vai começar
A crise do cursinho pré-vestibular gratuito da Prefeitura de Itapira se transformou em um retrato claro da desorganização e da falta de prioridade da gestão do prefeito Toninho Bellini com a educação dos jovens da cidade.
Depois de meses de atraso, licitações em que ninguém apareceu para concorrer e denúncias de falta de pagamento, a Prefeitura finalmente anunciou a convocação dos 100 alunos selecionados para o curso preparatório que será oferecido novamente pela conceituada escola Objetivo, que em anos anteriores fez um belo trabalho e aprovou muita gente. A medida, porém, chega tarde demais para centenas de estudantes que perderam praticamente um semestre inteiro de preparação enquanto alunos de cidades vizinhas já frequentam cursinhos desde fevereiro.
E o motivo do caos ficou ainda mais evidente nos bastidores: segundo informou a própria assessoria de imprensa da Prefeitura, o processo só conseguiu avançar porque a administração municipal começou a quitar os débitos pendentes com a empresa responsável pelo contrato anterior, de 2025. Ou seja: o cursinho só saiu do papel depois que a Prefeitura resolveu pagar o que devia.
A situação é considerada grave porque expõe uma gestão que perdeu credibilidade até mesmo para contratar um serviço básico de educação. O Pregão Eletrônico nº 027/2026 chegou a ser declarado deserto em três ocasiões — nenhuma empresa apareceu interessada. O motivo parecia óbvio: quem aceitaria prestar serviço para uma Prefeitura acusada de deixar pagamentos pendentes com a escola que durante o ano de 2025 ofereceu aula sem receber na totalidade?
Dados do Portal da Transparência mostram que, do contrato firmado em 2025 no valor de R$ 260 mil, apenas R$ 142.675 haviam sido pagos até dezembro de 2026. Mesmo após pagamentos posteriores em 2026, ainda restavam cerca de R$ 98 mil em aberto, o que a assessoria de comunicação da Prefeitura jura ter pago há algumas semanas.
O resultado da irresponsabilidade administrativa de Toninho Bellini foi direto: estudantes abandonados justamente no ano mais importante para quem sonha entrar em uma universidade.
Mesmo agora, com o anúncio oficial das matrículas, dificilmente as aulas funcionarão plenamente antes do final de maio ou começo de junho, já que ainda existem etapas burocráticas, homologação definitiva do processo e organização das turmas.
Na prática, os alunos de Itapira perderam pelo menos três meses de preparação em comparação com estudantes de outras cidades da região. Enquanto jovens de municípios vizinhos já fizeram simulados, revisões e avançaram no conteúdo desde o início do ano, os estudantes itapirenses ficaram presos à incompetência administrativa da Prefeitura.
A situação gera revolta principalmente porque dinheiro aparentemente nunca foi o problema para outras prioridades da gestão Bellini.
Enquanto faltava organização para garantir um cursinho gratuito aos jovens, a Prefeitura despejou milhões em obras questionadas por parte da população, como os cerca de R$ 8 milhões no Mercadão Municipal e aproximadamente R$ 15 milhões no prolongamento da Avenida David Moro. Para cimento, asfalto e obra eleitoreira, os cofres aparecem. Para educação, atraso, confusão e dívida.
O episódio reforça uma crítica cada vez mais forte nas ruas: a administração Toninho Bellini demonstra enorme capacidade para inventar obras, mas uma dificuldade assustadora para cumprir compromissos básicos com a população.
E quem paga essa conta são os estudantes da cidade, justamente agora que precisam estar prontos para disputar vagas no Enem e nos vestibulares em condições minimamente justas.
Para o vereador e professor Leandro Sartori, o problema não foi acaso, mas consequência direta da falta de prioridade da administração municipal.“Nenhuma empresa apareceu inicialmente porque havia receio de não receber. Isso é gravíssimo. Outras cidades começaram as aulas em fevereiro, enquanto Itapira ficou parada em burocracia, atraso e dívida. Os alunos perderam meses preciosos”, afirmou.
O caso escancara um cenário constrangedor para Itapira: uma Prefeitura que consegue gastar milhões em obras, mas quase deixou estudantes sem cursinho por falha de gestão e falta de credibilidade financeira.
No fim, sobra uma pergunta inevitável: se a Prefeitura não consegue sequer manter em dia um programa básico de apoio educacional, quais são, de fato, as prioridades do governo Toninho Bellini?






