Após aposentadoria na GCM, Gilberto realiza sonho da faculdade com quase 70 anos
Com quase 70 anos, o guarda municipal aposentado Gilberto de Almeida Martins mostra que disciplina, perseverança e vontade de aprender não têm prazo de validade. Depois de uma vida dedicada ao esporte, à segurança pública e à superação de desafios, ele realizou um sonho antigo: conquistar o diploma universitário em Educação Física.
Morador de Itapira, Gilberto construiu uma trajetória marcada pela dedicação ao preparo físico desde a juventude. Aos 15 anos, em 1972, iniciou na capoeira, praticando os estilos Angola e Regional. Poucos anos depois, passou a se dedicar também à musculação, atividade que se tornaria parte central de sua vida.
“Eu já sabia que minha genética em questão de saúde era herança dos meus pais. Por isso me dediquei à musculação, mesmo com tantos obstáculos e pessoas tentando fazer eu desistir”, contou.
Em 1977, quando ainda morava em São Paulo, começou a atuar na área de segurança e acreditava que um profissional da área precisava estar sempre bem preparado fisicamente. Na mesma época, conciliava treinos de musculação e arremesso de peso.

Quando retornou para Itapira, em 1986, rapidamente ficou conhecido pela força física e pelo destaque nas academias da cidade. Chegou a dar aulas de musculação por um período na antiga Sport Center, localizada na Avenida Francisco Glicério. Segundo ele, as demonstrações de força chamavam atenção. “Eu levantava carro, rasgava lista telefônica de São Paulo e o pessoal gostava”, relembrou.
Mas foi no braço de ferro que Gilberto alcançou os maiores resultados esportivos. Durante cerca de 30 anos de competições, acumulou títulos regionais, estaduais e nacionais. Tornou-se campeão paulista e campeão brasileiro da modalidade, além de conquistar o vice-campeonato mundial em 2004, em Indaiatuba. Em sua última participação em um campeonato mundial, em 2015, em Santos, terminou na sexta colocação entre 18 atletas.
Mesmo após deixar as competições, continuou treinando diariamente para manter a saúde e a qualidade de vida.
Paralelamente ao esporte, Gilberto também construiu carreira na Guarda Civil Municipal de Itapira. Entrou para a corporação em 2001, retornou posteriormente ao cargo e permaneceu até a aposentadoria, em 2018.
Foi justamente após deixar a carreira na segurança pública que decidiu investir no antigo sonho de cursar uma faculdade de Educação Física. O início, porém, não foi simples. Ele chegou a abandonar os estudos temporariamente por desânimo e dificuldades pessoais.
“A faculdade sempre foi um sonho. Quando aposentei, comecei, mas fiquei chateado com algumas coisas e parei. Minha filha e a Patrícia (comandante da GCM), pegou muito no meu pé para eu voltar”, contou.
O retorno aconteceu em 2020. Gilberto admite que encontrou dificuldades principalmente com tecnologia, já que precisou aprender a lidar com computador e celular para acompanhar as aulas e atividades acadêmicas.
“Eu tinha muita dificuldade com computador e celular. Desanimava, parava um tempo e depois voltava. Até que uma hora acordei e, com minha filha dando força, consegui terminar, graças a Deus”, afirmou.
Hoje, já formado, ele iniciou uma pós-graduação na área de personal trainer e pretende continuar estudando enquanto tiver disposição.
A convivência com estudantes mais jovens também marcou positivamente a experiência universitária. Segundo Gilberto, o acolhimento recebido durante o estágio foi uma das melhores partes da jornada.
“Eu achava que iria ser excluído pelos jovens, mas eles me receberam tão bem que adorei isso. Gosto de ficar neste meio”, disse.
Além da musculação e do braço de ferro, Gilberto acumulou experiências em corridas e desafios de resistência física. Participou de provas tradicionais como a Corrida Integração e a São Silvestre, além de caminhadas de longa distância e percursos de bicicleta.
Entre as aventuras que relembra com orgulho estão viagens de bicicleta entre Itapira e São Paulo, o percurso até Aparecida do Norte em um único dia e mais de 15 participações no Caminho da Fé. Também participou de caminhadas de 100 quilômetros ao lado do professor Zé Barreto e amigos.
Com quase 70 anos, Gilberto mantém a rotina intensa de treinos e garante que não pretende diminuir o ritmo.
“Quem treina comigo sabe que eu pego pesado, não treino fofo”, brincou.
Ao olhar para trás, ele afirma que sua história deixa uma mensagem clara para quem acredita que já passou da idade de realizar sonhos.
“Não existe idade para nada. Tudo depende só de você. Eu só vou parar quando morrer. E se eu voltar, quero fazer tudo igualzinho de novo.”






