A farra continua: Câmara cria mais 4 cargos com salários de até R$ 4,7 mil
A presidência do vereador Carlinhos Sartori caminha para ficar registrada como um dos capítulos mais controversos da história recente da Câmara Municipal de Itapira. Sob seu comando, o Legislativo promoveu a maior criação de cargos já vista na Casa, inflando a estrutura administrativa em um ritmo que contrasta frontalmente com a realidade financeira enfrentada pelo município. Somente neste ano, foram abertas as famigeradas 13 vagas para assessores parlamentares e, agora, mais quatro cargos para outras funções internas, ampliando ainda mais a folha de pagamento do Legislativo.
A decisão escancara uma inversão de prioridades difícil de justificar. Enquanto a Câmara cria cargos e amplia despesas, a cidade convive com a falta de recursos para áreas básicas, como a compra de medicamentos, abastecimento de veículos públicos e manutenção de serviços essenciais.
O contraste entre o inchaço do Legislativo e as dificuldades enfrentadas pela população transforma a medida em símbolo de descompromisso com o interesse público e reforça a percepção de que o poder político segue distante da realidade vivida pelos moradores de Itapira.

Em um ano marcado por dificuldades financeiras, reclamações sobre a precariedade de serviços públicos e limitações para investimentos em obras básicas, a Câmara Municipal de Itapira voltou a ampliar sua estrutura administrativa.
Após ter criado, em junho deste ano, 13 cargos de assessor parlamentar — um para cada vereador — com salários individuais de R$ 3.200,00, a Câmara aprovou agora o Projeto de Lei Complementar nº 27/2025, que institui novos cargos efetivos, amplia funções existentes e gera novo impacto financeiro mensal aos cofres públicos.
Pelo projeto, foi criado o cargo efetivo de Assistente de Relações Públicas e Cerimonial, vinculado à Secretaria Administrativa da Câmara, com salário de R$ 4.700,00. Também foi instituído o cargo de Assistente de Recursos Humanos, igualmente de provimento efetivo, com vencimentos de R$ 2.358,00. Outro cargo criado é o de Técnico em Produção Audiovisual, com remuneração de R$ 4.716,00 mensais.
Além dessas funções, o projeto aumenta de um para dois o número de cargos efetivos de motorista no quadro da Câmara. No entanto, o texto da lei não informa de forma explícita o valor do salário correspondente a essa função, o que dificulta a transparência sobre o impacto financeiro total da medida.
O projeto também extingue uma vaga de recepcionista, mas, paralelamente, criou em julho o cargo de Chefe de Manutenção e de Limpeza, com jornada de 40 horas semanais e salário fixado em R$ 2.500,00. Na prática, a extinção de um cargo de menor remuneração não neutraliza o aumento provocado pela criação das novas funções.
Considerando apenas os valores explicitamente informados no projeto, os novos cargos criados representam um impacto mensal mínimo de R$ 14.274,00 na folha de pagamento da Câmara, sem contabilizar o salário do novo motorista, cujo valor não foi detalhado no texto da lei.
Esse custo se soma ao impacto já existente da criação dos 13 cargos de assessor parlamentar, que juntos consomem R$ 41.600,00 por mês em salários. Somados, os novos cargos administrativos e os assessores parlamentares geram um impacto mensal mínimo de R$ 55.874,00 aos cofres públicos, valor que ainda pode ser maior com a inclusão do salário do motorista e dos encargos trabalhistas e previdenciários.
Em termos anuais, esse montante ultrapassa facilmente a casa dos R$ 670 mil, em um contexto no qual a população enfrenta problemas recorrentes como falta de manutenção de vias, carência de investimentos em saúde, educação e infraestrutura urbana.
As atribuições dos cargos criados constam em anexo à lei complementar, que entra em vigor na data de sua publicação, revogando disposições em contrário. O projeto foi aprovado e promulgado pela própria Câmara Municipal de Itapira.
A sequência de decisões evidencia uma política de ampliação da máquina administrativa do Legislativo em um período de restrição orçamentária no município, levantando questionamentos sobre prioridades, transparência e o uso dos recursos públicos em um ano marcado por dificuldades para a execução de serviços e obras básicas essenciais à população.



