Falta de manutenção da rede da Prefeitura compromete Saúde, Educação e Segurança
A reportagem da Gazeta revelou na tarde desta terça-feira que a Unidade Básica de Saúde (UBS) Dr. Edgar Trani Bagatella, no bairro Braz Cavenaghi, está há mais de um mês sem internet e sem telefone, situação que compromete diretamente o atendimento aos pacientes. Após a publicação da matéria, dezenas de novos relatos chegaram à redação apontando que o problema está longe de ser um caso isolado.
A apuração realizada pelo jornal identificou que a deficiência atinge diversos setores da administração municipal e teria origem na falta de manutenção da rede de fibra óptica utilizada pela Prefeitura. Segundo informações obtidas pela reportagem, o contrato com o responsável pelo serviço foi encerrado e, desde então, a estrutura passou a apresentar falhas frequentes, sem que os reparos fossem realizados com a agilidade necessária.
Na prática, quando um cabo de fibra óptica é rompido, unidades públicas inteiras ou parte delas ficam sem acesso à internet e aos sistemas informatizados utilizados diariamente pela administração.
Os reflexos já são sentidos em diferentes regiões da cidade. Na Unidade Básica de Saúde do bairro Flávio Zacchi, servidores convivem há mais de dois meses sem acesso ao sistema. Nos bairros Istor Luppi e José Tonolli, parte dos equipamentos funciona enquanto outros permanecem desconectados. Lá o problema atinge a escola municipal Marco Antônio Líbano dos Santos, a Praça CEU, a UBS Istor Luppi – “Dr. Décio Galdi” e a escola municipal e José Roberto Prado. Quando o problema não é total, é setorial dentro dos prédios.
Também foram registrados problemas na região do Assad Alcici e no Centro Pop, onde a instabilidade da internet compromete o funcionamento dos serviços.
O problema, porém, ultrapassa a área da saúde.
A reportagem apurou que a falta de internet também afetou a Muralha Digital da Guarda Civil Municipal. O sistema permaneceu aproximadamente 45 dias sem funcionamento porque as câmeras ficaram sem conexão com a rede da Prefeitura.
Durante o período em que permaneceu inoperante, a cidade ficou sem um dos principais instrumentos tecnológicos de apoio ao trabalho da Guarda Municipal na identificação de veículos e pessoas envolvidas em ocorrências policiais, sem contar o custo mensal do sistema que é alugado.
Mesmo após o restabelecimento parcial do serviço, a reportagem apurou que diversas câmeras de monitoramento continuam sem transmitir imagens em razão da falta de conexão com a internet.
Enquanto isso, servidores públicos enfrentam dificuldades para desempenhar funções básicas e moradores convivem com atrasos e transtornos em serviços considerados essenciais.
Na saúde, a ausência de internet impede o acesso aos sistemas de prontuários, agendamentos e registros administrativos. Em outros setores da Prefeitura, a interrupção da rede afeta a rotina de secretarias, departamentos e escolas municipais, prejudicando o funcionamento da máquina pública.
O cenário levanta questionamentos sobre a gestão da infraestrutura tecnológica da Prefeitura. Um serviço essencial para o funcionamento da administração municipal passou a apresentar falhas em diferentes pontos da cidade, afetando áreas estratégicas como saúde, educação, assistência social e segurança pública.
Outro lado
Questionado sobre o tema, o Departamento de Comunicação da Prefeitura enviou a seguinte resposta: “O contrato de manutenção de fibra óptica que a Prefeitura possuía com o fornecedor venceu em Janeiro e a Prefeitura está realizando ajustes e adequações de acordo com determinações do Tribunal de Contas e da Lei de Licitações pra uma nova licitação e melhora dos serviços prestados.
Paralelamente a isso, o município vem tomando medidas emergenciais para corrigir e evitar novos problemas na rede de internet durante esse processo.
Considerando que a rede da Prefeitura é muito antiga, uma reestruturação está sendo realizada, com prioridade em pontos mais problemáticos.
Dentro dos próximos 20 dias, a Prefeitura irá solucionar definitivamente o referido problema.”





