Hoje alvo de críticas, cozinha do HM foi reformada do ‘zero’ por Paganini
Em 2015, a Prefeitura de Itapira celebrava a entrega de uma ampla reforma da cozinha do Hospital Municipal, apresentada na época como símbolo da modernização da saúde pública da cidade. Onze anos depois, o mesmo espaço virou cenário de um escândalo sanitário envolvendo infestação de baratas, ferrugem, equipamentos deteriorados e denúncias de abandono estrutural.
A comparação entre os dois momentos ajuda a explicar como o Hospital Municipal saiu da condição de referência regional para se tornar alvo diário de críticas, denúncias e revolta popular.
E um detalhe político chama atenção nesse cenário: o então prefeito José Natalino Paganini entregou a cozinha totalmente reformada após assumir uma administração herdada justamente de Toninho Bellini — que agora, novamente no comando da Prefeitura, mergulha o hospital mergulhado em uma das maiores crises sanitárias e estruturais de sua história recente.
Em 2015, reforma milionária simbolizava modernização
Na época da gestão Paganini, a reforma da cozinha fazia parte de um amplo pacote de investimentos no Hospital Municipal, viabilizado com recursos estaduais conseguidos pelo deputado Totonho Munhoz junto ao então governador Geraldo Alckmin. Foram quase R$ 4 milhões trazidos por Munhoz a fundo perdido (R$ 2,2 milhões destinados às obras e R$ 1,6 milhão para equipamentos).
A cozinha passou por praticamente uma reconstrução completa.



As obras incluíram troca integral de pisos e azulejos por revestimentos apropriados para cozinha hospitalar, substituição de pias, reforma hidráulica, troca do sistema de esgoto, instalação de novo sistema de refrigeração, ampliação física do espaço e construção de um compartimento específico para armazenamento de gêneros alimentícios.
Também foram criados novos vestiários, sanitários para funcionários, área de despensa e melhorias estruturais em diversos setores ligados ao Serviço de Nutrição e Dietética.
Na inauguração da reforma da cozinha, a Prefeitura destacava que o investimento representava “uma nova área para preparação de alimentos”, modernizando completamente o ambiente responsável pelas refeições de pacientes, acompanhantes e funcionários.

Naquele momento, o Hospital Municipal ainda começava a recuperar parte da imagem de referência construída ao longo das décadas anteriores e destruída depois de 8 anos seguidos de Toninho Bellini no comando da Prefeitura.
Hoje, o cenário é de degradação e revolta
Onze anos depois, as imagens reveladas pela Gazeta mostram um cenário completamente oposto.
Baratas caminhando sobre fogões industriais enquanto refeições eram preparadas, próximas às panelas. Ralos sem proteção, equipamentos tomados por ferrugem, gordura acumulada e buracos.
Utensílios de cozinha armazenados próximos ao chão e a poucos centímetros dos insetos peçonhentos.
O que deveria ser um ambiente controlado sanitariamente se transformou em um símbolo visível da deterioração do Hospital Municipal.
O vídeo das baratas gerou forte repercussão justamente porque expôs uma situação considerada inadmissível dentro de um ambiente hospitalar — especialmente em um setor responsável pela alimentação de pacientes muitas vezes debilitados, idosos e imunossuprimidos.
A repercussão foi tão grande que obrigou a própria Prefeitura a divulgar uma nota oficial admitindo problemas estruturais e confirmando que precisou realizar dedetização emergencial após a empresa contratada anteriormente não comparecer.
A administração também reconheceu que pequenos reparos estruturais seriam realizados na cozinha e adjacências.
Mas para muitos, as imagens reveladas mostram que o problema ultrapassou há muito tempo qualquer conceito de “pequeno reparo”.
O abandono denunciado antes do escândalo
O caso também expôs outra questão preocupante: os alertas já existiam antes do escândalo explodir publicamente.
O vereador Tiago Fontolan vinha cobrando providências sobre as condições estruturais do Hospital Municipal e da própria cozinha hospitalar. O parlamentar chegou a realizar fiscalização presencial no local após denúncias feitas por servidores.
Documentos oficiais protocolados na Câmara cobravam fiscalização sanitária, melhorias estruturais e informações sobre as condições da unidade. Mesmo assim, a situação continuou se agravando.
O episódio das baratas acabou funcionando apenas como a imagem mais chocante de uma crise que já vinha sendo denunciada havia meses.
Infiltrações, mofo, goteiras, água próxima ao centro cirúrgico, desativação de leitos e agora uma cozinha hospitalar tomada por insetos.
Da reforma ao colapso
A comparação entre 2015 e 2026 escancara uma mudança brutal no estado do Hospital Municipal.
Enquanto a gestão Paganini investia milhões na recuperação estrutural da unidade, a atual administração de Toninho Bellini parece atuar apenas reagindo a crises já instaladas.
A sensação deixada é de que o hospital deixou de receber manutenção preventiva adequada ao longo dos últimos anos e passou a funcionar sob lógica permanente de improviso.
O mais simbólico talvez seja justamente o fato de a cozinha, que um dia foi apresentada como exemplo de modernização hospitalar, hoje estar no centro de um escândalo sanitário que ganhou repercussão regional.
O Hospital Municipal que já foi motivo de orgulho para Itapira agora se vê associado a imagens de ferrugem, abandono e baratas caminhando sobre fogões industriais.
E talvez isso diga muito sobre o rumo que a saúde pública municipal tomou nos últimos anos.






