618 em Mogi Mirim, 150 em Mogi Guaçu e 22 em Itapira: política habitacional vira vexame
Um levantamento recente voltou a colocar lado a lado os números da política habitacional de três cidades da região: Mogi Mirim, Mogi Guaçu e Itapira. E a comparação é dura — especialmente para o prefeito Toninho Bellini.
Enquanto nos últimos anos Mogi Mirim soma 618 unidades habitacionais, Mogi Guaçu contabiliza 150 moradias, Itapira amarga apenas 22 unidades que nem saíram do papel ainda. A diferença é gritante.
À frente da Prefeitura de Mogi Mirim, Paulo Silva apresenta um volume expressivo de moradias viabilizadas. Em Mogi Guaçu, Rodrigo Falsetti também mantém ritmo de entregas. Já em Itapira, após cinco anos completos de gestão ininterrupta, o saldo é considerado vexatório por críticos da administração.
Nenhuma casa entregue
Toninho Bellini completou cinco anos à frente do Executivo municipal com um dado que chama atenção: não conseguiu entregar nenhuma casa popular conquistada por sua própria gestão.
O atual prefeito costuma citar a entrega de 41 casas no distrito de Eleutério, realizada em 2021. No entanto, essas unidades não foram resultado de sua articulação política. As moradias foram conquistadas durante o segundo mandato do ex-prefeito José Natalino Paganini, entre 2017 e 2020. As obras começaram em 2019 — coube a Bellini apenas a cerimônia de entrega das chaves.
A última grande entrega efetiva de moradias populares em Itapira ocorreu em 25 de outubro de 2019, ainda na gestão Paganini: 100 casas no Conjunto Habitacional José Pereira Lago, em Barão Ataliba Nogueira. A obra contou com apoio do deputado Totonho Munhoz e investimento de quase R$ 10 milhões. Cada imóvel possuía 49 m², dois dormitórios, banheiro, sala, cozinha, área de serviço, além de aquecimento solar e energia fotovoltaica.
O legado anterior: mais de 800 unidades
Entre 2013 e 2020, as gestões de Paganini somaram 825 unidades habitacionais conquistadas. Só em 2016 foram 684 imóveis entregues:
305 no José Tonolli;
320 apartamentos no Morada Nova;
59 casas pela CDHU no Conjunto João Izac Cavenaghi;
além das 100 unidades de 2019.
Paganini encerrou seus mandatos com mais de 800 moradias viabilizadas e outras 41 prontas para entrega.
Projetos engavetados
A crítica à atual administração não se resume à ausência de novas conquistas. Projetos estruturados também teriam sido abandonados.
Em 2020, foram deixados encaminhados 538 lotes urbanizados:
435 no loteamento Fifo;
103 em Barão Ataliba Nogueira.
Também estavam previstas 37 casas em Eleutério e 27 na Ponte Nova. No total, 602 famílias poderiam hoje estar vivendo em moradias próprias.
Nada avançou.
A comparação que incomoda
Quando se observa que Mogi Mirim soma 618 unidades e Mogi Guaçu 150, enquanto Itapira aparece com apenas 22, a cobrança se torna inevitável.
Moradia popular não é favor político. É política pública essencial. É dignidade. É redução de déficit habitacional. É movimentação da economia local. É geração de emprego na construção civil.
Cinco anos são tempo suficiente para apresentar resultados concretos. Em Itapira, porém, o que se vê é estagnação.
A pergunta que ecoa entre as famílias que aguardam por uma casa própria é simples: onde está a política habitacional prometida?






