Crise da água se agrava e aula é cancelada em creche no Brás
Moradores dos bairros Brás Cavenaghi, Hélio Nicolai, Nenê Cega e do Condomínio Mário Cega enfrentam há mais de dez dias uma situação de verdadeiro caos no abastecimento de água.
O problema, que já vinha causando transtornos às famílias, atingiu um novo patamar nesta quinta-feira (5), quando a falta de água na creche municipal Francisco Rovaris cancelou as aulas.
Segundo relatos, o abastecimento tem sido interrompido totalmente ou ocorre de maneira extremamente precária, com pressão tão baixa que a água mal consegue sair das torneiras. Quando chega, outro problema preocupa os moradores: a coloração, que frequentemente apresenta aspecto barrento ou esbranquiçado, semelhante a leite.
Na quarta-feira (4), a creche Francisco Rovaris já havia enfrentado dificuldades durante todo o dia, funcionando com pouca água. Professoras e funcionários precisaram improvisar para manter as atividades e atender às crianças. Nesta quinta-feira, porém, a situação chegou ao limite: sem água na unidade não teve aula.

A reportagem da Gazeta apurou que os pais foram avisados através de um grupo de WhatsApp que hoje não haveria aula, mas mesmo assim alguns chegaram a levar os filhos na creche. E tiveram que retornar.
A decisão provocou revolta e preocupação entre as famílias, especialmente porque muitos pais trabalham e não têm com quem deixar as crianças. Além do transtorno imediato, a situação levanta questionamentos sobre as condições de funcionamento de uma unidade de educação infantil sem um serviço básico e indispensável, como o abastecimento de água.
As reclamações se multiplicaram nas redes sociais e também chegaram à reportagem da Gazeta. São famílias que há dias convivem com a insegurança de abrir uma torneira sem saber se haverá água, se ela terá pressão suficiente ou em que condições chegará.
É válido destacar que professores e outros profissionais que atuam na CEI Francisco Rovaris não têm nada a ver com essa situação caótica. Eles, inclusive, estão na unidade escolar desenvolvendo outros afazeres pois precisam cumprir a carga horária.
O episódio expõe mais uma vez a fragilidade do abastecimento em Itapira e coloca o SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) no centro das cobranças. Sob a administração do prefeito Toninho Bellini, a cidade precisa de respostas concretas, e não de justificativas genéricas para problemas que afetam diretamente a rotina e a dignidade da população.
Não se trata de um contratempo isolado. São mais de dez dias de dificuldades em diferentes bairros, com reflexos inclusive no atendimento de crianças em uma creche municipal. Até quando moradores terão de conviver com torneiras secas e água de qualidade duvidosa? E quem responde pelos prejuízos causados às famílias?
Água é serviço essencial, não favor. A população paga por ele e tem o direito de recebê-lo com regularidade e qualidade. O SAAE e a Prefeitura precisam explicar o que está acontecendo, quais providências estão sendo tomadas e, principalmente, quando o abastecimento será normalizado.
Outro lado
Entramos em contato com o departamento de comunicação da Prefeitura mas, como de costume, não responderam nada até a publicação desta matéria.
Certamente os profissionais do setor seguem a cartilha de seu chefe maior, o prefeito Toninho Bellini, que se esconde quando aparece um problema.



