Pular para o conteúdo principal

Gazeta Itapirense

 Professoras: mulheres que ensinam, acolhem e transformam vidas, por Hellen Santos

Traço Feminino

Um espaço acolhedor que trará de forma acessível assuntos necessários como direitos das mulheres, a luta das mulheres negras, a violência contra a mulher e o que fazer nessas situações, dentre outros temas relacionados à mulher.

Seja muito bem-vinda (o)!

 

Professoras: mulheres que ensinam, acolhem e transformam vidas

 

Ser professora é muito mais do que ensinar a ler, escrever ou fazer contas. É acolher, orientar, reconhecer potencialidades e acreditar em crianças que ainda estão descobrindo a própria capacidade. É celebrar pequenas conquistas, reinventar caminhos e continuar tentando, mesmo quando os desafios parecem maiores do que os recursos disponíveis.

Hoje, quero celebrar especialmente as mulheres que fazem da educação um compromisso diário. Mulheres que estudam, planejam, cuidam, ensinam e encontram, em meio a tantas responsabilidades, motivos para continuar. A vocês, minha admiração, meu carinho e meu profundo respeito.

Celebrar também é desejar que possamos encontrar condições dignas para exercer o trabalho. Itapira tem passado por um momento em que a falta de estrutura, sobrecarga burocrática, desafios da educação inclusiva e a necessidade de maior diálogo com a Secretaria Municipal de Educação apontam para uma maior atenção.

Muito tem se falado sobre o apagão dos professores no Brasil para o ano de 2040, e a problemática da  saúde mental tem sido um dos fatores principais para o déficit acontecer. Penso que esse assunto   deveria ser tratado com seriedade, o acolhimento não deveria ser apenas um discurso, mas uma prática cotidiana, mas o que vem preocupando são as dificuldades relatadas por profissionais para obter escuta e apoio nos conflitos diários que existem nos centros educacionais do município.

Tem sido frequente o desgaste emocional, mental  e físico das professoras que enfrentam desafios que ultrapassam suas atribuições do cargo. Desta forma, as licenças do trabalho, que são previstas no estatuto do magistério da rede municipal, têm sido solicitadas, mas devolvidas com total negativa para a utilização, inclusive em situações nas quais entende-se ter respaldo legal.

É compreensível que a rede precise organizar suas equipes, mas a falta de pessoal não pode ser a resposta automática a toda solicitação. Os direitos precisam ser analisados com transparência, fundamentação legal e igualdade de tratamento. Uma educação verdadeiramente comprometida com a justiça precisa garantir que os direitos e as oportunidades não dependam de relações pessoais, influência política ou poder econômico. É fundamental que os critérios para a concessão de licenças e para o desenvolvimento profissional sejam transparentes, objetivos e aplicados de maneira igualitária, afinal, nenhuma professora deveria sentir que precisa de uma influência especial para ter seus direitos considerados.

Também precisamos olhar para as professoras que desejam estudar, aperfeiçoar seus conhecimentos e ampliar seus espaços de atuação, mas que tem encontrado barreiras administrativas e institucionais para obter a licença, para fins  de aperfeiçoamento, pós-graduação, mestrado e doutorado, o que está previsto em lei Federal, mas que tem ficado comprometido, pelo mesmo motivo já mencionado, a falta de profissionais para substituí-las. Investir na formação das professoras  é investir na qualidade da educação da nossa cidade.

Me coloco muito neste dia, pois  como sabem,  sou professora da educação básica e pesquisadora, tenho atuado na sala de aula com crianças pequenas e adultos no ensino superior e a qualificação para acompanhar as demandas se faz necessário em ambos os segmentos, não sendo aperfeiçoamentos de ordem particular, mas de extrema necessidade para crescer na carreira e trilhar caminhos maiores.

Essa reflexão se torna mais relevante quando falamos das mulheres/professoras negras, aqui me encontro outra vez, pois somos poucas na rede municipal e essa presença reduzida precisa provocar uma discussão séria sobre a baixa representatividade ao acesso à carreira pública e oportunidades de crescimento. Para as professoras negras, romper as barreiras de raça e gênero significa enfrentar obstáculos adicionais para conquistar formação, reconhecimento e espaço profissional. Não basta ensinar relações étnico-raciais nas salas de aula, o que não tem ocorrido, mas é preciso que o compromisso com a igualdade também se manifeste nas oportunidades de acesso.

A ausência de avanços perceptíveis e de políticas efetivas de equidade racial merecem reflexão. Uma rede que educa para a diversidade precisa estar disposta a reconhecer suas próprias desigualdades e transformá-las.

A inclusão também precisa ser um compromisso cotidiano. Crianças atípicas necessitam de suporte adequado, profissionais de apoio e recursos que favoreçam sua aprendizagem. As professoras, por sua vez, precisam de estrutura e parceria para que a inclusão não dependa exclusivamente de seus esforços individuais.

Uma educação forte se constrói com professoras respeitadas, oportunidades justas, diálogo e uma gestão capaz de ouvir e responder às necessidades das escolas. Fortalecer essa relação é investir nas professoras, nas crianças e no futuro da cidade.

Parabéns, professoras! Que nossa homenagem ultrapasse as mensagens e as fotografias e se transforme em respeito nas decisões, justiça nas oportunidades e acolhimento no cotidiano, porque educar é transformar vidas e as mulheres que educam também merecem oportunidades para transformar as próprias histórias, romper barreiras estruturais e ocupar todos os espaços para os quais sua competência e dedicação as conduzam.

Deixo o meu  carinho, admiração e respeito a todas as professoras da rede municipal, às professoras da rede Estadual e particulares da cidade de Itapira, que seguem educando, abrindo caminhos e construindo futuros mais justos para as próximas gerações.

 

Por: Hellen Santos

hellenccsed@gmail.com