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Gazeta Itapirense

Prefeito peita a Justiça de novo e envia pintor da Prefeitura para obra terceirizada do Mercadão

Se tem alguém nessa cidade que não tem medo de ser questionado pelo Ministério Público, pela Polícia Civil ou até mesmo de enfrentar alguma punição no Judiciário, esse alguém se chama Toninho Bellini.

A sequência de acontecimentos envolvendo o Mercadão reforça essa impressão: mesmo depois de flagrantes, questionamentos e denúncias, o prefeito voltou a enviar um pintor para trabalhar dentro de uma obra terceirizada do Mercadão Municipal.

E o detalhe chama ainda mais atenção pela localização: o Mercadão fica a cerca de 500 metros da Promotoria de Justiça de Itapira, sede do Ministério Público, e aproximadamente 600 metros do Fórum. Mesmo assim, a administração municipal continua colocando funcionários públicos para executar serviços dentro de uma obra terceirizada e 100% paga com dinheiro do contribuinte itapirense.

Pintor estava na parte de baixo do Mercadão: crime vergonhoso do prefeito (Foto: Gilmar Carvalho/Gazeta)

A denúncia recebida pela Gazeta apontou que, há alguns dias, até quatro servidores da Prefeitura estariam trabalhando na pintura do prédio. Eles chegariam pela manhã utilizando um veículo da Secretaria de Obras e Planejamento.

Na manhã desta quarta-feira, 07, a reportagem esteve no local e flagrou um funcionário trabalhando dentro do Mercadão. Questionado, ele confirmou que trabalha na Secretaria de Obras da Prefeitura e informou que estava realizando serviços de pintura.

Não se trata, portanto, apenas de uma denúncia de terceiros. A própria reportagem constatou a presença do servidor municipal e ouviu dele que estava trabalhando na pintura do prédio.

Além da mão de obra da Prefeitura certamente todo o material usado, tintas, ferramentas e outros produtos estão sendo pagos com dinheiro público.

Ou seja, o povo de Itapira paga duas vezes.

No detalhe, o emblema da Prefeitura de Itapira na roupa do pintor: prova (Foto: Gilmar Carvalho/Gazeta)

A história se repete

O episódio não é inédito.

Em dezembro dois funcionários da Prefeitura foram flagrados trabalhando na pintura do Mercadão por volta das 5 horas da manhã. Na ocasião, a administração afirmou que os servidores apenas raspavam partes da tinta que estavam se desprendendo e que o reparo definitivo seria feito posteriormente pela construtora.

Em julho de 2026, outro flagrante da Gazeta mostrou um servidor municipal trabalhando dentro do prédio. A Prefeitura informou que ele estaria no local apenas para limpar sujeira provocada por gatos.

A versão, porém, não coincidia com o que foi observado pela reportagem, que encontrou o funcionário retirando poeira, resíduos e restos de materiais característicos de obra.

A Gazeta também teve acesso à planilha orçamentária do contrato, que previa R$ 36.092,07 para “limpeza final da obra” e R$ 10.627,49 para “remoção de entulho”.

Agora, novamente, servidores municipais aparecem dentro do Mercadão — e, desta vez, realizando pintura.

Detalhe: é o mesmo servidor flagrado em julho.

 

Obra atrasada e paga

O contrato original da reforma foi assinado em março de 2023 com a JEA Construtora e Incorporadora pelo valor de R$ 6.119.294,69, com previsão de execução em 12 meses.

Posteriormente, recebeu um aditivo de R$ 1.583.385,92, elevando o valor para aproximadamente R$ 7,7 milhões.

Apesar disso, o Mercadão continua fechado e sem entrega definitiva.

Segundo documentos obtidos pela Gazeta no Portal da Transparência, a Prefeitura já liquidou todo o valor destinado à reforma, embora a obra permaneça inacabada.

É justamente nesse ponto que surge uma das principais perguntas do caso: se existe uma empresa contratada para executar a reforma, se há serviços previstos no contrato e se o prédio ainda não foi oficialmente recebido pelo município, por que servidores da Prefeitura estão sendo utilizados para realizar trabalhos no local?

A Lei Federal nº 14.133/2021 estabelece responsabilidades da empresa contratada pela execução e prevê procedimentos para o recebimento provisório e definitivo das obras públicas. A eventual existência de irregularidade, porém, precisa ser analisada pelos órgãos competentes a partir dos contratos, ordens de serviço, medições e pagamentos.

 

A poucos metros da Promotoria e do Fórum

A obra está a cerca de 500 metros da Promotoria de Justiça de Itapira e aproximadamente 600 metros do Fórum.

Ainda assim, Toninho Bellini insiste em cometer esse crime usando dinheiro público em obra terceirizada. O prefeito deixa claro que tem a plena convicção de que está acima da Lei e da Justiça e não teme nem um pouco as consequências de seus atos ilegais.

Enquanto isso, o Mercadão segue fechado e a população continua esperando a conclusão da reforma.

 

Outro lado

Nossa reportagem enviou as fotos do pintor trabalhando dentro do Mercadão para o Departamento de Comunicação da Prefeitura para saber qual seria a resposta para mais esta aberração.

Até o momento da publicação não recebemos resposta alguma.

Bom, pelo menos não veio a resposta vergonhosa como da última vez, de que o pintor estaria “limpando sujeira de gatos”.