Crônica: No pau do galinheiro, por Rodrigo Alvez
— E aí meu amigo. Já decidiu em quem vai votar neste ano?
— Claro. Vou votar naquele lá que recebeu milhões de propina. E você?
— Acho que vou votar no outro. Que roubou milhões de nossos velhinhos.
— Eu até pensei em votar neste, mas o outro parece que tem mais roubos
escondidos, que ainda não foram investigados.
— Verdade, ouvi dizer que além dos milhões, o outro também está
envolvido com tráfico.
— Mas tem aquele outro também, que a mídia não fala muito, mas está
sendo acusado de desvio de bens público.
— Justamente pelo público não conhecer seus roubos, não está bem nas
pesquisas eleitorais daqui.
— Coitado!
— Situação parecida com aquela candidata que foi até presa um tempo
atrás por envolvimento com facção criminosa.
— Essa só vai ter uma grande votação no estado natal dela…
— Pois, é… está difícil este ano amigo… muitos candidatos envolvidos com
coisa suja que a gente nem sabe quem escolher…
— Um mais sujo que o outro…
(Risadas no galinheiro).
— Mas temos que tomar cuidado. Cê viu aquele candidato que parece um
garnisé nanico, que vive dizendo que é limpinho?
– Cara… um absurdo… o sujeito não tem sequer uma condenação e
parece que jamais se envolveu com sujeira! Jamais roubou um milhão ou
milhinho, tampouco milho sequer!
— Ainda bem que não tem nem um por cento nas pesquisas… já pensou
se ele ganha aqui no galinheiro?
— Se acontecesse de ganhar, eu iria embora daqui!
— Ainda bem que é praticamente impossível isso acontecer e a eleição vai
ser definida entre os dois mais sujos mesmo.
— Ainda bem.
— Falando nisso, viu a reportagem sobre as granjas onde cada um mora?
— Vi. Cê viu as dependências luxuosas deles? Que inveja!
— E os poleiros onde eles dormem… cheio de fezes, excrementos e
sujeiras.
— Sujeira das boas.
— Quem dera termos poleiros tão sujos um dia…
— Meu sonho é ter meu pau de galinheiro tão sujo, quanto esses nossos
candidatos queridos deste ano…
Rodrigo Alvez de Carvalho nasceu em Jacutinga (MG). Jornalista, escritor e poeta, possui diversos prêmios em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas promovidas por editoras e órgãos literários. Atualmente colabora com suas crônicas em conceituados jornais brasileiros e Blogs dedicados à literatura.
Em 2018, lançou seu primeiro livro intitulado “Contos Colhidos”, pela editora Clube de Autores. Trata-se de uma coletânea com contos e crônicas ficcionais, repleto de realismo fantástico e humor. Também pela editora Clube de Autores, em 2024, publicou o segundo livro: “Jacutinga em versos e lembranças” – coletânea de poemas que remetem à infância e juventude em Jacutinga, sua cidade natal, localizada no sul de Minas Gerais. Em 2025, publicou o terceiro livro “A saga de Picolândia” – série de relatos sociopolíticos acontecidos em Picolândia – uma pequena cidade do interior, cuja sua principal fonte de renda é a produção de sorvetes. Com um tom humorístico e irônico, com uma pitada de realismo fantástico, a obra reúne diversas crônicas engraçadas narradas por um morador desta cidade.





